Caso Orelha: investigação usa ‘softwares gringos’, e vídeo do cão andando após apanhar vira arma da defesa
Para conseguir provar a participação do autor, autoridades tiveram de recorrer a uma tecnologia importada
Cidades|Do R7, com Estadão Conteúdo e Agência Brasil
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A investigação da morte do cão Orelha, que completou um mês na última quinta-feira (5), teve uma semana decisiva, após a PCSC (Polícia Civil de Santa Catarina) encerrar, na terça-feira (3), as apurações sobre as agressões que levaram o animal à morte e pedir a internação de um dos quatro adolescentes envolvidos no crime.
Para conseguir provar a participação do autor — que não teve o nome revelado por ser menor de idade —, as autoridades tiveram de recorrer a uma tecnologia importada e análise de imagens de câmeras de segurança.
Segundo informações da própria polícia, foram analisadas mais de mil horas de filmagens captadas por 14 câmeras. Além disso, 24 testemunhas foram ouvidas.
As imagens analisadas foram fundamentais para as autoridades, embora não existam gravações do momento do ataque ao animal.
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Foi através delas que os investigadores puderam verificar as roupas usadas pelo rapaz no dia do crime, além de comprovar que ele havia saído de madrugada do condomínio onde mora.
A polícia também usou um software francês para verificar a localização do menor no momento da agressão a Orelha.
Com o programa — que identifica onde está o celular — e imagens das câmeras, a investigação conseguiu provar que o rapaz deixou o condomínio às 5h25 e foi até a Praia Brava naquele 4 de janeiro. Ele voltou ao mesmo local às 5h58, acompanhado de uma jovem.
Um outro software, agora israelense, de recuperação de dados apagados de celulares, também foi utilizado.
Contradições
O depoimento do rapaz, colhido na semana passada, também foi chave para desvendar o crime. O jovem se contradisse, afirmando que não havia deixado sua casa naquele fim de madrugada.
Mas a polícia já tinha as imagens comprovando o contrário. Havia vídeos do controle de acesso da portaria, imagens do moletom e do boné que ele usava, além do relato de testemunhas afirmando que o jovem havia deixado o condomínio.
Além do pedido contra o adolescente suspeito, três adultos foram indiciados por tentarem influenciar testemunhas durante o processo.
Novas imagens
Após a conclusão da investigação pela polícia, um vídeo divulgado pela defesa do adolescente suspeito trouxe novos elementos à investigação policial.
As imagens mostram o cão caminhando aparentemente bem na manhã de 4 de janeiro, horas após o suposto espancamento ocorrido na madrugada. A Polícia Civil afirma que as agressões aconteceram antes das filmagens.
Como mostrou o parceiro do R7 em Santa Catarina, ND Mais, o veterinário que atendeu Orelha logo após o resgate afirmou à polícia que os ferimentos apresentados pelo animal não eram compatíveis com atropelamento, como sugeriu a defesa, mas indicavam agressão física.
O profissional afirmou que a lesão estava concentrada apenas na cabeça, sem cortes ou escoriações pelo corpo ou patas, o que o levou a suspeitar imediatamente de espancamento.
O depoimento obtido pelo ND Mais contradiz uma versão apresentada pela defesa do adolescente indiciado, que sugeriu que Orelha poderia ter sido atropelado.
A delegada do caso, Mardjoli Valcareggi, afirmou que o animal foi levado ao veterinário apenas no dia seguinte. Segundo o laudo técnico, as lesões evoluíram ao longo de dois dias, causando a morte do cão.
Agora, o Ministério Público vai decidir sobre a representação contra o adolescente.
Relembre o caso
O cão comunitário Orelha, de 10 anos, foi encontrado agonizando após ser agredido e precisou sofrer eutanásia devido à gravidade das lesões.
Segundo as investigações, Orelha não morreu após agressões cometidas por um grupo, como divulgado inicialmente.
A apuração apontou que a morte do animal foi causada por um único adolescente, que chegou a viajar para os Estados Unidos em uma excursão escolar após o crime e retornou antecipadamente ao Brasil a pedido dos investigadores.
Com a conclusão da investigação, a Polícia Civil do estado solicitou a internação do agressor e indiciou outros três adultos pelo crime de coação a testemunhas. Os envolvidos não foram identificados.
Em nota, os advogados Alexandre Kale e Rodrigo Duarte, representantes legais do jovem, afirmaram que as informações divulgadas dizem respeito a “elementos circunstanciais”, que não podem ser considerados prova nem “autorizam conclusões definitivas”.
A defesa declarou ainda que, até o momento, não teve acesso integral aos autos da investigação e que o caso está “politizado”.
No domingo (1º), a polícia já havia descartado a participação de um dos quatro adolescentes na morte do cão. Ficou constatado na investigação que o jovem não estava na Praia Brava, em Florianópolis, em Santa Catarina, no momento do crime.
De acordo com a Polícia Civil, a família do adolescente apresentou provas de que ele não estava no local, versão corroborada por imagens.
Por se tratar de adolescente, menor de idade, o suspeito indiciado não está sujeito a penas criminais, como prisão. O ato é interpretado como infracional, que pode ser punido com medidas socioeducativas, mas também com a internação nos casos mais graves.
Agressões contra o cão Caramelo
As investigações também apuraram as agressões ao cão Caramelo, outro cachorro comunitário que vivia na Praia Brava.
Segundo a Polícia Civil, o animal sofreu uma tentativa de agressão dias após a morte de Orelha. Câmeras de monitoramento chegaram a gravar as agressões.
Os ataques foram praticados por um grupo de quatro adolescentes. Diferente do que havia sido informado, eles não têm envolvimento com o caso Orelha.
Caramelo sobreviveu e foi adotado pelo delegado-geral da Polícia Civil de Santa Catarina, Ulisses Gabriel.
Concluídos, os inquéritos dos casos Orelha e Caramelo foram encaminhados para análise do Ministério Público e do Judiciário. A polícia também entrou com uma representação no MP de Santa Catarina contra os envolvidos no caso Caramelo.
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