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Como investigação da PF e decisão de Moraes revelaram segurança ‘terceirizada’ no Rio

Operações entre segunda (9) e quarta (11) miraram agentes suspeitos de oferecer serviços a traficantes

Cidades|Do R7

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LEIA AQUI O RESUMO DA NOTÍCIA

  • Decisão de Alexandre de Moraes impulsionou a operação da Polícia Federal contra agentes suspeitos de colaborar com o crime organizado no Rio de Janeiro.
  • A operação resultou na prisão de 14 pessoas, incluindo delegados e policiais, além de apreensões de armas e dinheiro.
  • Investigação revela uma rede de corrupção entre policiais que favoreciam facções criminosas, incluindo extorsões e vazamentos de informações.
  • A ação foi realizada em três fases, com foco nas atuações de agentes públicos que prestavam serviços de segurança para traficantes.

Produzido pela Ri7a - a Inteligência Artificial do R7

PF apontou três núcleos trabalhando junto a traficantes, com policiais civis, militares e um federal Polícia Federal/Divulgação/Arquivo

Uma decisão do ministro do Supremo Tribunal Federal, Alexandre de Moraes, abriu caminho para uma ofensiva da Polícia Federal contra agentes públicos suspeitos de atuar em favor do Comando Vermelho no Rio de Janeiro.

Entre segunda-feira (9) e quarta-feira (11), investigadores cumpriram três fases da Operação Anomalia dentro da força-tarefa Missão Redentor II. A apuração aponta rede formada por delegados, policiais civis, policiais militares e operadores financeiros voltada a facilitar atividades de facções do tráfico e grupos de milícia.


Ao longo das diligências, equipes cumpriram 14 mandados de prisão preventiva e 13 de busca e apreensão no Rio de Janeiro e em cidades da região metropolitana. Entre os presos aparecem um delegado da Polícia Federal, um delegado da Polícia Civil, dois policiais civis e sete policiais militares.

Durante a ação, agentes apreenderam armas, munições, cerca de R$ 50 mil em dinheiro, celulares, dispositivos eletrônicos, documentos e um veículo. A decisão judicial também determinou bloqueio de bens, suspensão de atividades empresariais e afastamento imediato de servidores investigados.


Segundo as investigações, parte dos suspeitos atuava como apoio direto ao crime organizado, com acesso a informações sensíveis do Estado.

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Como funcionava o esquema

Relatório apresentado no inquérito aponta três núcleos dentro da estrutura investigada.


Um grupo ligado à Polícia Civil atuava com extorsão de traficantes. Investigadores identificaram cobrança de R$ 1,5 milhão para interromper apurações contra o traficante Gabriel Dias de Oliveira, conhecido como “Índio do Lixão”, apontado como um dos chefes do Comando Vermelho.

Outro núcleo reunia policial federal, advogado e intermediários. A suspeita envolve tentativa de favorecer o traficante internacional neerlandês Gerel Lusiano Palm. A investigação aponta articulação para interferir em processos de extradição e refúgio mediante promessa de pagamento de R$ 150 mil.


O terceiro núcleo incluía policiais militares. De acordo com os investigadores, o grupo prestava serviços diretos à facção, descritos no processo como uma espécie de “empresa de terceirização de riscos”.

Segurança, armas e dinheiro

A investigação indica atuação desses policiais na segurança armada de lideranças do tráfico, inclusive durante deslocamentos e eventos em comunidades dominadas pela facção.

Também aparecem suspeitas de venda ilegal de armamentos, como fuzis calibre 5.56, pistolas e carregadores. Parte dos agentes teria participado do transporte de grandes quantias em dinheiro, com registro de deslocamento de R$ 150 mil em espécie em uma ocasião.

Outro ponto apontado no processo envolve vazamento de informações sobre operações policiais, prática que permitia a traficantes evitar ações de segurança.

O inquérito também cita ligação com o ex-deputado estadual Thiego Raimundo de Oliveira Santos, conhecido como TH Joias. Segundo a investigação, ele teria atuado como intermediário de interesses do Comando Vermelho.

Entre as suspeitas aparecem alertas sobre operações policiais e participação em tratativas relacionadas à aquisição de equipamentos antidrones destinados a traficantes.

Fases da operação

A Operação Anomalia ocorreu em três etapas ao longo da semana:

Primeira fase (9 de março) – Ação contra investigados suspeitos de negociar vantagens em troca de influência para beneficiar um traficante internacional. Policiais cumpriram quatro mandados de prisão e três de busca.

Segunda fase (10 de março) – Investigação avançou sobre policiais civis e operadores financeiros acusados de extorquir integrantes de facções e movimentar recursos ligados ao esquema. Houve quatro prisões e bloqueio de valores em contas bancárias e criptoativos.

Terceira fase (11 de março) – Operação concentrou esforços em policiais militares suspeitos de prestar apoio logístico a traficantes e milicianos. Agentes cumpriram sete mandados de prisão e sete de busca no Rio de Janeiro, em Nova Iguaçu e Nilópolis.

Decisão do STF

Na decisão judicial, Alexandre de Moraes determinou prisões preventivas, buscas domiciliares, bloqueio de bens e quebra de sigilo telemático de investigados.

O magistrado também autorizou cooperação direta com órgãos federais para acelerar o acesso a dados financeiros e fiscais ligados ao caso.

A investigação ocorre dentro do Inquérito 5.020, voltado ao combate à expansão de facções e milícias no Rio e à identificação de infiltração dessas organizações em estruturas do poder público.

Todo o material apreendido passará por perícia. A Polícia Federal pretende aprofundar a análise para identificar novos envolvidos no esquema.

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