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Cooperativas esclarecem fraude do leite no MP

Setor leiteiro é alvo de investigações por casos de adulteração

Cidades|Do R7

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O setor leiteiro do Rio Grande do Sul voltou a ser notícia esta semana com a suspeita de fraude na cadeia de produção de duas das maiores cooperativas do Estado, a Cooperativa Agropecuária Petrópolis (Piá) e a Santa Clara. Ambas prestarão esclarecimento ao Ministério Público do Rio Grande do Sul nesta sexta-feira (8), após uma inspeção de rotina do Ministério da Agricultura ter encontrado álcool etílico em amostras de leite cru em postos de refrigeração das cooperativas.

A investigação aumenta o ambiente de insegurança no RS com relação ao setor, que nos últimos meses foi alvo de uma série de casos de adulteração. Esta é a primeira vez que cooperativas se veem envolvidas nas denúncias. O promotor de Defesa do Consumidor do MP gaúcho, Alcindo Bastos, diz que a possibilidade de contaminação é mínima e é preciso ouvir as explicações dos responsáveis pelo leite.


— Não temos muita desconfiança de que a fraude tenha sido praticada pelas cooperativas, que para nós são idôneas. Alguém no percurso entre o animal e a chegada até a plataforma dessas indústrias deve ter adicionado o álcool, porque a possibilidade de contaminação é praticamente zero. A ideia é rastrear quem seriam os produtores e os transportadores das respectivas rotas, para tentar descobrir quem está de fato fraudando.

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A ação criminosa, segundo ele, tem o objetivo de aumentar o volume do produto. Os representantes da Piá serão ouvidos às 14h30 de amanhã e os da Santa Clara, às 15h30.

Embora Bastos acredite que não houve má fé por parte das cooperativas, ele esclarece que elas podem ser punidas.


— As responsáveis perante o mercado pela colocação do produto nessas condições são as indústrias. Elas (as cooperativas) tinham a obrigação de detectar a fraude.

A Piá acatou a decisão da Superintendência Federal de Agricultura do Rio Grande do Sul (SFA-RS) de recolher do mercado lotes de leite UHT integral e de requeijão light, devido à detecção de álcool etílico em amostra coletada do posto de refrigeração de Vila Flores, pertencente à cooperativa. Apesar de ter cumprido a determinação da Justiça, a Piá negou qualquer tipo de irregularidade na produção.


No caso da Santa Clara, as amostras comprometidas foram colhidas pelos inspetores em um posto de resfriamento na cidade de Veranópolis. O álcool etílico estava no leite pasteurizado, que tem validade de poucos dias, por isso os lotes foram ao mercado e provavelmente acabaram consumidos antes que o assunto viesse à tona. Em nota distribuída à imprensa, a Santa Clara afirmou que só recebe leite em condições de processamento e consumo adequados e faz análises constantes para garantir a qualidade do produto.

Leite Compen$ado

As ações de inspeção que resultaram nas denúncias de fraude envolvendo a Piá e a Santa Clara integram a rotina de fiscalização do Ministério da Agricultura e não fazem parte da operação Leite Compen$ado, que desde o ano passado já denunciou dezenas de pessoas por participação em esquemas de adulteração de leite. Após identificar a presença de álcool etílico nos lotes das cooperativas em questão, as autoridades federais notificaram o Ministério Público gaúcho para que desse seguimento à investigação.

Segundo Bastos, não parece haver relação entre o caso da Piá e o da Santa Clara, mas isso também será averiguado e se houver de fato fraude, "vamos atrás da responsabilidade criminal dos fraudadores", disse.

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