Grupo utilizava aplicativo de entrega de comida para vender drogas em Porto Alegre
Clientes vips participavam de um grupo fechado no WhatsApp
Correio do Povo|Do R7

Um disfarçado esquema vip de tráfico de drogas, que se aproveitava de um serviço de aplicativo de entrega de comida, foi descoberto pela Polícia Civil em Porto Alegre. Após quatro meses de investigações, o Departamento Estadual de Investigações do Narcotráfico (Denarc) deflagrou, nesta quarta-feira, a operação Conde na zona Sul da Capital. Cerca de 60 agentes em 20 viaturas, sob comando do delegado Guilherme Calderipe, cumpriram 15 ordens judiciais sendo cinco mandados de prisão e sete mandados de busca e apreensão. Houve o recolhimento de maconha e cocaína, além de uma moto e um baú de transporte com o nome do aplicativo. Um único entregador da quadrilha movimentou em torno de R$ 120 mil por mês atendendo uma clientela das classes média e alta que faziam parte de um grupo fechado no WhatsApp. “A droga ia junto com as comidas que eram entregues normalmente”, revelou o diretor de investigações do Denarc, delegado Mário Souza. Ele avaliou o trabalho investigativo como “arriscado, difícil e complexo”. Três dos cinco gerentes da organização criminosa foram localizados e presos. Já o líder está recolhido na Cadeia Pública desde que foi capturado pelo próprio Denarc na operação Austral desencadeada em outubro de 2016. No entanto, ele permanecia controlando os subordinados desde então. “O esquema de tele-entrega era bem organizado, com divisão de tarefas e distribuição de funções, e funcionava por turnos. Havia cobrança de produtividade e qualidade. Tudo foi provado com provas técnicas”, observou o delegado Mário Souza. Os clientes recebiam os pedidos de drogas, sobretudo maconha e cocaína nas suas casas ou shoppings, estabelecimentos de ensino e supermercados. O delegado Mário Souza enfatizou que o aplicativo de entrega de comida não está envolvido. “Usavam ele como fachada”, frisou. Já o coordenador da operação Conde, delegado Guilherme Calderipe, disse que a clientela ingressava no grupo fechado mediante convite de outros. “Para ser usuário tinha de ser apresentado aos demais integrantes. Os clientes eram vips”, afirmou. De acordo com ele, o que mais chamou a atenção foi a estrutura montada no esquema de tele-entrega em atividade desde 2016. “Funcionava 24 horas por dia e havia rodízio de entregadores cadastrados no aplicativo”, assinalou. O próximo passo da investigação do Denarc é identificar todos os entregadores, que usavam motos e também bicicletas, bem como os compradores cujos nomes estão no grupo fechado, além de agir sobre o patrimônio dos traficantes.














