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Inquérito de caso de feminicídio em Porto Alegre deve ser concluído em 10 dias, diz delegada

Segundo familiares, PM não aceitava término de relacionamento com Michele Pires

Correio do Povo|Do R7

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Segundo familiares, PM não aceitava término de relacionamento com Michele Pires Crédito: Guilherme Testa
Segundo familiares, PM não aceitava término de relacionamento com Michele Pires Crédito: Guilherme Testa

O policial militar suspeito de matar a ex-companheira Michele Barbosa Pires, de 35 anos, em um condomínio da zona Sul de Porto Alegre terá a prisão preventiva solicitada, segundo a titular da Delegacia Especializada no Atendimento à Mulher de Porto Alegre (Deam), Tatiana Bastos. O inquérito por feminicídio terá qualificadoras como a falta de chance de defesa da vítima, entre outras. “Em dez dias deve ser concluído”, previu a delegada. O caso ocorreu no conjunto residencial Reserva Ipanema, que fica no bairro homônimo. Após conseguir se desvencilhar de vigilantes, o PM conseguiu invadir o local mesmo com a proibição de ingressar no prédio desde a separação do casal, ocorrida há seis meses, depois de um relacionamento de quatro anos. No local, o PM surpreendeu a ex-companheira Michele, que realizava um churrasco de confraternização no salão de festas do prédio. Ao subir com os amigos para mostrar o apartamento, ela encontrou o suspeito. "Encontraram ele no corredor e ali já começou a confusão. Ele entrou no apartamento e se lavou no banheiro pois tinha sangue nas mãos, estava machucado pois pulou o muro. Começaram a discutir e o clima ficou tenso. Ele sacou a arma e ela saiu correndo. No corredor, ele disparou. Ela foi alvejada por pelo menos três tiros. Os amigos falaram que ele descarregou a arma”, contou Tatiana Bastos. O filho da vítima, de 12 anos, fruto de uma relação anterior, estava em outro cômodo do imóvel e não viu a mãe ser morta. Um policial civil, vizinho no condomínio, escutou os estampidos, interveio e prendeu em flagrante o policial militar que estava de camiseta, bermuda e tênis. O efetivo do 1º BPM foi acionado e conduziu o detido até a 2ª Delegacia de Polícia de Pronto Atendimento, no Palácio da Polícia. Ameaça registrada De acordo com a delegada Tatiana Bastos, a mãe da bancária esteve no dia 27 de novembro passado na Deam, no Palácio da Polícia, para registrar uma denúncia contra o policial militar por estar ameaçando a filha. A bancária foi intimada a prestar depoimento nessa terça-feira. “Ela não quis representar criminalmente contra ele. Ela achou que ia correr mais risco fazendo alguma coisa e não quis levar adiante. Ela nunca imaginou. Ela estava feliz. Fazia uma semana que ele não a procurava. Para ela a situação estava se resolvendo”, lembrou. “Ela foi ouvida e não quis representar criminalmente contra ele. Ela não quis nenhuma medida de proteção da Lei Maria da Penha e ser encaminhada à rede de proteção”, explicou. “Ela estava em uma situação de risco. As mulheres subestimam o agressor. Homem que persegue, que não aceita o fim e que ameaça...isso tudo antecede o feminicídio”, alertou. Mesmo sem a representação criminal, um procedimento pela perturbação da tranquilidade foi aberto contra o PM ainda na tarde de ontem. Na manhã desta quarta-feira, depois da morte de Michele, os familiares relataram em depoimentos que o relacionamento do casal era conturbado e existia um histórico de violência. “Ele era muito agressivo e não aceitava o rompimento”, disse a titular da Deam. “Ela fazia ameaças de morte. Ele dizia que não ia matar, mas deixaria uma surpresa para ela”, afirmou a delegada. Lotado no 11ºBPM, o soldado estava afastado das atividades por decisão da Corregedoria Geral da Brigada Militar após a operação do Ministério Público e da BM deflagrada em junho deste ano e que investigava o envolvimento de dez policiais militares, incluindo o autor do crime, com a facção criminosa Bala na Cara, cuja base fica no bairro Bom Jesus, na Capital. Dez PMs, incluindo o suspeito, foram presos na ação. No entanto, ele ficou apenas 18 dias detido. A separação do casal teria ocorrido depois disso. “Em 2015 ele disparou uma arma de fogo em uma boate por ciúme de uma ex-namorada”, contou Tatiana. Outros feminicídios no RS Outros três feminicídios foram registrados desde o início da semana no Rio Grande do Sul. Em São Nicolau, na Região das Missões, um homem esfaqueou e matou a ex-mulher, de 28 anos, no começo da noite dessa terça-feira em uma rua do bairro Carretel. Momentos depois, ele foi preso em flagrante pela Brigada Militar que havia sido mobilizada. O homem não aceitava o término do relacionamento. A vítima, que recebeu diversas facadas, chegou a ser socorrida, mas não resistiu aos graves ferimentos. Ela deixa dois filhos. Em Canela, o crime ocorreu no bairro Santa Terezinha na noite de segunda-feira. Um homem, de 47 anos, matou a ex-companheira, de 34 anos, e depois foi encontrado morto. Já em Cachoeirinha, também na noite dessa segunda-feira, um homem, de 50 anos, assassinou a esposa, de 47 anos, dentro da residência do casal no bairro Moradas do Bosque. Depois, ele tirou a própria vida. Os corpos foram encontrados pelo filho.

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