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'Cristais' do TikTok largam tudo para viver na estrada com marido caminhoneiro 

Nas redes sociais, mulheres compartilham perrengues e prazeres da rotina pelas rodovias do Brasil e somam milhares de seguidores

Cidades|Julia Girão*, do R7

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Susiane Câmara tem 95 mil seguidores e Sthéfanny Montine mais de 100 mil: as duas são 'cristais' e compartilham vida na estrada ao lado do marido caminhoneiro
Susiane Câmara tem 95 mil seguidores e Sthéfanny Montine mais de 100 mil: as duas são 'cristais' e compartilham vida na estrada ao lado do marido caminhoneiro

Elas esperam o marido por horas debaixo do sol mais forte e da chuva mais intensa, driblam a boleia do caminhão para preparar comidas saborosas e deixam o dia a dia nas estradas mais parecido com o de uma casa — tudo isso enquanto atravessam o país.

Esses são alguns dos perrengues e prazeres das "cristais", mulheres que largaram o conforto do lar para compartilhar a vida na estrada com o marido caminhoneiro. Batizadas assim por serem "muito preciosas" na vida do esposo, as cristais dividem sua rotina no TikTok e em outras redes sociais e acumulam milhares de seguidores.


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E é a paixão por essa rotina sem nenhum glamour e pelo companheiro que, na opinião das próprias cristais, fez com que elas conquistassem destaque no feed de muita gente no TikTok.

Sthéfanny Montine, de 26 anos, já chegou a passar oito meses na estrada e é uma das principais expoentes desse estilo de vida. Com mais de 100 mil seguidores no perfil que ela mesma intitula de "A Cristal e o Chofer", Sthéfanny já conquistou patrocínios graças ao seu perfil, no qual compartilha coisa como um dia em que cozinhou arroz carreteiro na boleia do caminhão e como divide as tarefas domésticas com o marido.


"Eu sempre postei vídeos e logo vi que as pessoas gostam de ver o dia a dia na estrada. Foi aí que comecei a mostrar mais e mais. É muita satisfação mostrar nossa rotina, que é 95% dentro do caminhão", disse Sthéfanny, que é natural de Guarantã do Norte, em Mato Grosso, ao R7.

Para Susiane Câmara, que soma mais de 95 mil seguidores no TikTok, é importante que as pessoas saibam que as cristais não acompanham o marido apenas para viajar. Os dois estão ali juntos, passando pelas mesmas dificuldades.


Susiane viaja com o esposo desde que ele conseguiu o emprego, quando ainda transportava cargas para o interior de Rondônia, estado onde nasceu. E ela sempre ajudou o companheiro a descarregar o caminhão, o que já causou espanto nas pessoas. "Para mim, não é um sacrifício, porque eu passei a gostar da rotina. Essa vida é para quem tem amor à profissão."

Só que viver dentro do caminhão não foi uma decisão pensada para Caroline Fernandes, de 24 anos. Moradora da região metropolitana de Belo Horizonte (MG), ela ficava sozinha em casa por muito tempo enquanto o marido viajava pelo país.

O convite para cair na estrada com ele então aconteceu e, mesmo com medo, ela aceitou. "Dá muita saudade [do marido]. A saudade e a preocupação da cristal que precisa ficar em casa é horrível", diz Caroline.

A rotina nas estradas

Caroline Fernandes, de 24 anos, vive na estrada com o marido caminhoneiro
Caroline Fernandes, de 24 anos, vive na estrada com o marido caminhoneiro

Mas uma opinião é unânime entre as cristais: não ter uma rotina fixa e poder conhecer diversos lugares do Brasil diariamente é a melhor parte desse estilo de vida.

"Nos apaixonamos todos os dias pelas paisagens, lugares e culinária. Mas, sem dúvida, para mim a melhor parte é a liberdade, no sentido bem emocional da palavra", afirma Caroline.

Por não ter uma rotina definida, a cristal procura trazer o aconchego de casa para dentro do caminhão e "dar aquele arzinho de lar". Além disso, ela se esforça em fazer a própria comida, pois na estrada tudo é muito caro.

"São memórias boas. A gente transforma o caminhão em uma diversão, colocamos uma música enquanto percorremos quilômetros, batemos papo… São coisas muito boas que só quem gosta sabe como é", conta Susiane.

Nas paradas, entre um carregamento e outro, Sthéfanny diz que aproveita para limpar o caminhão, lavar a cabine e as rodas. "Sempre ajudo o chofer, mas geralmente ele vai lavando a parte de fora e eu vou organizando a de dentro."

'Nós não somos tratadas de forma respeitosa'

Apesar dos bons momentos nas estradas, Susiane relatou ao R7 que as cristais não são tratadas com respeito, especialmente quando o marido precisa fazer a carga e a descarga.

Isso porque algumas empresas não deixam o caminhoneiro entrar com sua esposa. E aí ela precisa esperar debaixo de chuva, frio e sol, sem nenhum amparo. No momento, inclusive, a empresa em que o marido de Susiane trabalha a proibiu de acompanhá-lo.

"Já fiquei do lado de fora de uma fazenda porque não podia permanecer dentro do caminhão enquanto ele estava sendo carregado. Fiquei no meio da chuva. É horrível, muito sofrido", afirma.

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Sthéfanny confirma que passa pelo mesmo tipo de situação e diz que, além de não existir uma sala de espera para a cristal ficar, o marido corre o risco de ser demitido se ela for pega na boleia do caminhão.

O que dizem os maridos?

Patrick Weihrauch e Brenda Cendrowicz Calazans
Patrick Weihrauch e Brenda Cendrowicz Calazans

Patrick Weihrauch tem 41 anos e é caminhoneiro desde os 20. E sua esposa, Brenda Cendrowicz Calazans, de 28 anos, viajou com ele durante dois anos. Para ele, essa época foi a melhor da vida nas estradas. 

"Além de ter uma companhia e não se sentir mais tão solitário, tu escolhe melhor os lugares de parada, se alimenta melhor. Ter a esposa ao lado nas viagens é satisfatório", afirma. 

Porém, Patrick avalia como um problema o fato de as mulheres não poderem entrar nas empresas nem, pelo menos, ficar dentro dos caminhões enquanto eles são carregados ou descarregados. Ainda assim, "mesmo com essas dificuldades, vale muito a pena estar ao lado do marido e ajudar no que for preciso".

Para Patrick, saber que a esposa está disposta a passar as mesmas dificuldades que o caminhoneiro passa na estrada é uma prova de amor. "Uma conversa agradável para alegrar o dia, e, o mais importante, saber que tem alguém do teu lado em momentos ruins, que pode te dar aquela força que faltava para não desistir. À cristal que viaja com seu caminhoneiro, eu tiro o chapéu", finaliza.

* Sob supervisão de Bruno Araujo e Márcio Pinho

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