Davi Fiuza: MP-BA irá investigar caso de jovem desaparecido em 2014
Adolescente sumiu durante uma operação policial em Salvador, na Bahia. Desde então, nunca foi encontrado pelos familiares
Cidades|Plínio Aguiar, do R7

“Já é uma vitória, ainda que tardia”, diz Rute Fiuza, mãe de Davi Fiuza, desaparecido aos 16 anos de idade durante uma operação policial em Salvador, na Bahia, em 2014. Nesta quinta-feira (2), o Ministério Público confirmou o recebimento do inquérito da Polícia Civil sobre o adolescente e informou que irá analisar o caso.
Após quatro anos e sucessivos adiamentos de prazo, a Polícia Civil da Bahia concluiu o inquérito sobre o desaparecimento de Davi recentemente. O relatório foi entregue ao Ministério Público do Estado, que agora deve investigar o desaparecimento. O caso corre sob segredo de Justiça, portanto, não foi informado ao R7 quantas pessoas foram indiciadas ou por quais crimes serão acusados.
De acordo com Rute, vários casos de desaparecimento em Salvador não "passam" do DHPP (Departamento de Homicídio e Proteção à Pessoa). “O do meu filho foi entregue ao Ministério Público. Isso já vale e muito pra mim”, conta.
Caso
Davi desapareceu no dia 24 de outubro de 2014. Segundo investigações, Davi foi capturado por policiais militares que realizavam uma operação no Parque São Cristóvão, por volta de 7h30. Na ocasião, testemunhas informaram que durante a ação policial, o adolescente conversava com uma mulher em via pública. Em seguida, ele teria sido abordado e encapuzado pelos agentes de segurança. Davi teve os pés amarrados e, então, foi colocado no porta-malas de um carro. Desde então, nunca mais foi visto. O corpo do adolescente também não foi encontrado.
Os policiais envolvidos realizavam uma operação para obter o diploma de soldado junto com integrantes da Rondesp (Rondas Especiais) e o 49° CIPM (Companhia Independente de Polícia Militar), responsável pela área. Um dos mistérios do caso é que os rádios e o GPS das viaturas usadas no dia do desaparecimento de Davi estavam desligados.
Desde então, Rute luta por justiça. “O desaparecimento do meu filho não pode entrar para estatística. Não pode ficar impune”, diz, aos prantos. “Eu não vou me afastar da luta por Davi".













