Em oito meses, 27 moradores de rua foram executados em Goiânia
Secretaria Nacional de Direitos Humanos acredita em grupo de extermínio; polícia contesta
Cidades|Do R7, com Fala Brasil

Em oito meses, 27 moradores de rua foram executados em Goiânia e na região metropolitana. A Secretaria Nacional de Direitos Humanos diz acreditar que haja um grupo de extermínio por trás dos assassinatos. Já a Secretaria de Segurança Pública de Goiás afirma que são casos isolados.
A polícia garante que, até agora, dez mortes foram esclarecidas e outros sete casos tiveram os autores identificados, mas ainda é preciso aguardar o resultado de exames e laudos. Outras dez execuções continuam sendo investigadas.
Força-tarefa
A Secretaria de Direitos Humanos enviou no último sábado (6) uma força-tarefa para investigar o assassinato desses moradores de rua. Na madrugada do sábado, um garoto de 11 anos e um adulto foram mortos a pauladas.
De acordo com o secretário nacional de Promoção e Defesa dos Direitos Humanos, Gabriel Rocha, os números mostram uma onda de homicídios de moradores de rua na capital goiana.
— Há uma política de extermínio em curso.
Segundo ele, depoimentos recolhidos por entidades locais de apoio aos moradores de rua indicam a suspeita de participação de agentes públicos em pelo menos parte dos assassinatos.
Encabeçada por Gabriel Rocha, a missão é composta por sete coordenadores federais, entre os quais representantes da Ouvidoria Nacional dos Direitos Humanos, da Coordenação-Geral dos Centros de Referência em Direitos Humanos e do Comitê Intersetorial da Política da População em Situação de Rua. Nesta terça-feira (9), a Câmara Municipal promoverá uma audiência pública sobre os homicídios.
— Existem notícias de várias testemunhas que põem sob suspeita o envolvimento de agentes públicos nos assassinatos. Isso nos preocupa bastante.
Citando dados da Secretaria Municipal de Assistência Social de Goiânia, Rocha informou que existem 900 moradores de rua na cidade, dos quais a maioria vem do interior do estado em busca de tratamento de saúde ou para fugir de situações de violência familiar. Segundo ele, as drogas podem não ser o motivo principal dos assassinatos.
— De acordo com a prefeitura, somente 30% dos moradores de rua têm envolvimento com entorpecentes. Essas estatísticas são importantes para direcionar as políticas para essa parcela da população.
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