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“Era melhor ele estar preso”, diz delegado sobre neto de ex-senador que matou agente de trânsito na Paraíba

Rodolpho Gonçalves Carlos da Silva permaneceu calado durante depoimento hoje à polícia

Cidades|Diego Junqueira, do R7

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O Porsche conversível de Rodolpho Carlos teve o para-brisa quebrado após o atropelamento
O Porsche conversível de Rodolpho Carlos teve o para-brisa quebrado após o atropelamento

Acusado de atropelar e matar um agente de trânsito no último final de semana em João Pessoa, na Paraíba, o estudante Rodolpho Gonçalves Carlos da Silva se apresentou à polícia na manhã desta terça-feira (24) para prestar esclarecimentos. Durante todo o interrogatório, no entanto, ele permaneceu calado.

“Para a investigação, era melhor ele estar preso, mas o Judiciário não fez justiça”, disse ao R7 o delegado titular de Crimes contra a Pessoa da Capital, Reinaldo Nóbrega, que está à frente das investigações.


— Quando o suspeito está preso, ele já vem com sentimento de culpa. O cara tenta se defender e aí acaba apresentando as versões do fato.

Às 2h da manhã do último sábado (21), Rodolpho não obedeceu à ordem do agente de trânsito Diogo do Nascimento de Souza, de 34 anos, para parar o seu veículo durante a Operação Lei Seca na avenida Nilo Peçanha, no bairro do Bessa, região nobre da capital paraibana.


Colegas de Diogo e outras testemunhas oculares relataram que o motorista acelerou o veículo contra o agente, atropelando-o. Sem prestar socorro á vítima, ele fugiu em seguida. Um vídeo da investigação mostra o Porsche de Rodolpho fugindo em alta velocidade por uma rua do bairro.

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O caso ganhou repercussão por suposto favorecimento da Justiça ao acusado. Rodolpho teve sua prisão decretada e revogada pela Justiça da Paraíba em menos de 12 horas. Na tarde de sábado, a juíza plantonista Andréa Arcoverde Cavalcanti Vaz, do 1º Juizado Especial Misto de Mangabeira, decretou um mandado de prisão temporária alegando “medida de extrema relevância para elucidação dos fatos criminosos e apuração de sua participação no crime ora em apuração”.


Ela destacou em sua decisão que “o acusado evadiu-se do local do crime sem prestar socorro à vítima, demonstrando a intenção de furtar-se a sua responsabilidade penal pelos fatos praticados”.

Já na madrugada de sábado (21) para o domingo (22), o desembargador Joás de Brito Pereira Filho, do Tribunal de Justiça da Paraíba, atendeu a um habeas corpus impetrado pelo advogado de Rodolpho e, antes mesmo de o jovem ser preso, emitiu um salvo-conduto "para que o paciente não venha a ser preso em decorrência da prisão temporária".


O magistrado alegou em sua decisão "não existir justa causa a justificar o cerceamento do direito de locomoção", a não ser que "fatos novos" justifiquem a "medida extrema".

Rodolpho é herdeiro do Grupo São Braz, maior empresa do ramo alimentício do Estado, e da TV Cabo Branco, afiliada da Rede Globo. O império é comandado pelo empresário José Carlos da Silva Júnior, avô de Rodolpho, que já foi primeiro suplente de senador pelo PMDB, entre 1995 e 2003, assumindo o cargo em duas ocasiões, por breve período, em 1996 e 1999. ele também ocupou o cargo de vice-governador da Paraíba, entre 1983 e 1986.

“Durante o depoimento ele repetiu diversas vezes que se reservava ao ‘direito de permanecer em silêncio’, declarou o delegado.

Nóbrega afirma que o jovem sequer reconheceu a autoria do crime, embora haja imagens de sua fuga e o depoimento de testemunhas oculares. Ele também não quis confirmar se estava ou não acompanhado no veículo, como relataram testemunhas.

— Tem testemunha ocular, presencial, que o reconheceram, mas em nenhum momento ele titubeou em pensar que foi ele. Estava muito calmo.

Durante a semana o delegado irá concluir a coleta de depoimentos e, na próxima semana, vai convocar Rodolpho novamente para realizar a reconstituição do crime.

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