Fogo atinge no Pantanal área correspondente a 10 cidades de SP

Momento é o mais delicado em mais de 20 anos. Milhares de focos de incêndio, desde janeiro, consumiram mais de 1 milhão e 600 mil hectares

Bombeiros combatem chamas no Pantanal

Bombeiros combatem chamas no Pantanal

Reprodução/Record TV

A maior área inundada do planeta sofre com a seca. O Pantanal vive o momento mais delicado em mais de 20 anos. As queimadas já atingiram uma área dez vezes maior do que a cidade de São Paulo e ameaçam a fauna e a flora do tesouro verde localizado no centro-oeste brasileiro.

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São milhares de focos de incêndio, que,  desde janeiro, já consumiram mais de um milhão e seiscentos mil hectares do Pantanal nos Estados de Mato Grosso e Mato Grosso do Sul. É como se 10 cidades do tamanho de São Paulo pegassem fogo. Equipes do Corpo de Bombeiros e das Forças Armadas se esforçam pra controlar as chamas, monitoradas por imagens de satélite.

Na central de monitoramento, todos os dias a gente capta esses pontos de foco de calor a partir da informação via satélite e a gente consegue definir onde há incêndios ativos a partir desses focos de calor. Com base nessa informação é que as equipes são direcionadas seja pra combater diretamente o incêndio ou para estabelecer linhas de defesa para que essa frente de incêndio não evolua”, conta o tenente coronel Flávio Gledson Bezerra, comandante do batalhão da região.

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O fogo destruiu quase 40% da maior Reserva Particular do país, onde fica o Sesc Pantanal. Funcionários do hotel atravessaram a rodovia com as margens em chamas.

O único e mais antigo morador da reserva é o seu Dito Verde, que  precisou ser resgatado de barco. O fogo chegou a 15 metros da casinha de sapê, patrimônio histórico da região.“Eu tenho 79 anos, nunca aconteceu um caso desse como tá acontecendo agora”, conta o morador.

O rio Cuiabá é um dos que desembocam no rio Paraguai, o responsável pelas inundações dessa grande planície brasileira. Sem chuvas há três meses e com temperaturas perto dos 40ºC, os rios da região atingiram o menor nível em quase 50 anos.

“Nós temos uma umidade relativa do ar muito, muito baixa, se aproximando aos níveis desérticos. Temos muito vento em grande parte do dia. E o vento acontece justamente na hora mais quente, então grande calor, baixa umidade e muito vento facilitam a propagação da chama, tornando-a quase imbatível”, afirma o primeiro-tenente do corpo de bombeiros Rodrigo Alves Bueno.

A vegetação seca facilita a propagação do fogo, quase sempre provocado pelo homem. Animais, muitos deles em extinção, estão ilhados e tantos outros morreram. Sem previsão de voltar pra casa, o ribeirinho Dito Verde deixou tudo pra trás. A panela no fogo, o radinho de pilha, as memórias na casa que ergueu sozinho há mais de sessenta anos e de onde nunca saiu. Voltou só pra buscar a viola de cocho, instrumento típico da região que ele toca para cantar as tristezas do Pantanal.