Folha Vitória Casal de idosos sofre com filho dependente químico, que foi preso após agredir os pais

Casal de idosos sofre com filho dependente químico, que foi preso após agredir os pais

O homem de 32 anos já foi internado algumas vezes, mas não consegue continuar tratamento; agressão aconteceu durante crise de abstinência

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Foto: Reprodução / TV Vitória
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Sofrimento de uma família inteira. Um casal de idosos convive há cerca de 20 anos com o filho dependente químico. O rapaz foi preso na última semana após tentar matar os pais durante uma crise de abstinência.

Mesmo sozinha em casa, a mãe, Geralda Liberato, conta que às vezes ouve a voz do filho, tamanho o medo que ela tem dele. Ela e o marido são feirantes e trabalham quase todos os dias. 

O casal tem dois filhos, o mais novo, de 32 anos, não dá paz à família. "Já tentei de tudo. Saí de casa que nem uma doida pedindo ajuda para as pessoas, querendo um laudo psiquiátrico para levar para Defensoria Pública. Já cheguei a registrar o encontro lá, mas como não tinha laudo nem fui lá", contou.

A família disse que o filho piorou após a morte da companheira. A mãe contou que ele já recebeu tratamento no Caps de Laranjeiras por três anos, mas ele não deu continuidade ao programa. A última internação aconteceu há seis meses. Segundo a mãe, ele só ficou na clínica por 24 horas, já que não aceitava o tratamento.

Medo do próprio filho

Os pais contaram que o filho já se envolveu em diversas ocorrências policiais por causa do vício em drogas e bebidas. Na última semana, na ânsia de conseguir dinheiro para comprar entorpecentes, o jovem arranhou o carro do pai com uma faca e os agrediu. O pai, Valdir Malta, conta que ficou com medo do próprio filho.

"Ele pegou um dinheiro nosso, saiu e comprou drogas. Ele já veio com uma garrafa do lado, chutando o portão, agressivo, falando que se não déssemos mais dinheiro ele iria matar a gente", relatou. 

O desespero do casal é tão grande que, quando saem de casa, os dois levam os eletrodomésticos dentro do carro para que não sejam roubados. Valdir já chegou a pagar o filho para evitar que ele o roubasse.  

"Às vezes, eu pago ele para vigiar a casa para ele não roubar. Mas, mesmo assim, não adianta. Eu posso dar R$ 100 para ele, mas ele torra no mesmo dia", lamenta.

A mãe sofre duas vezes. Uma por viver refém do próprio filho e a outra porque, para ter paz, precisa que o filho fique preso. "É muito triste ver o filho na cadeia, ver o filho do jeito que eu o vejo". 

O rapaz já foi preso algumas vezes, mas logo é solto. Há dois meses, ele começou a roubar nas ruas e, com isso, foi punido por traficantes da região. Na primeira vez, ele foi agredido e, na segunda, levou um tiro na mão. 

Em meio ao caos, os pais ainda conseguem sonhar e esperam o dia em que poderão ver o filho longe das drogas e do crime. 

"Eu queria morar em um cômodo e ter paz. Ter ele dentro de casa, saindo para trabalhar, tranquilo. Sempre converso com Deus: eu não quero nada. Um cômodo que eu possa colocar um fogão e a cama, e que tivesse paz dentro de casa já seria tudo", relatou a mãe. 

*Com informações da repórter Nathalia Munhão, da TV Vitória/Record TV. 

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