Folha Vitória Com hospitais lotados, governo do ES define os critérios que vão priorizar pacientes na fila por UTI

Com hospitais lotados, governo do ES define os critérios que vão priorizar pacientes na fila por UTI

Numa situação de colapso, doentes com mais chances de sobreviver terão preferência na fila de internação em um leito de tratamento intensivo

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Foto: Diego Simão/TV Vitória
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O Espírito Santo definiu um protocolo em que se estabelece a classificação de prioridades para pacientes terem acesso à Unidade de Terapia Intensiva (UTI) caso não haja leitos disponíveis para todos. O documento, que foi obtido pela TV Vitória, define que os doentes com mais chances de sobreviver à internação estarão na frente da fila para conseguir o leito. A faixa etária não faz parte dos critérios. 

A situação extrema já é admitida pelo secretário de Estado da Saúde, Nésio Fernandes. "As interações sociais, de maneira insistente, não estão contribuindo para a queda dos casos. Temos uma variante nova no Estado e a ocupação hospitalar não consegue acompanhar a velocidade da transmissão da doença. Estamos chegando em um momento crítico. Vamos ter que passar a triar as pessoas que precisarem de um leito hospitalar", projetou, em entrevista ao programa Espírito Santo no Ar, na manhã desta terça-feira (30).

No documento de 28 páginas, chamado de "Plano de Contingência para Internações Hospitalares por Covid-19", a ordem de prioridade classifica os pacientes de acordo com as condições clínicas em que se encontram. 

Foto: Reprodução TV Vitória
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Prioridades 1, 2 e 3

Assim, de acordo com a publicação, os classificados como "Prioridade 1" terão a preferência na ocupação de leitos de UTI. 

"Pacientes criticamente enfermos, sem limitações para intervenção, que necessitam de monitoramento intensivo do quadro (risco eminente de parada cardiorespiratória ou intubação orotraqueal) e/ou instáveis que necessitam de cuidados de terapia intensiva e monitoração que não pode ser provida fora de ambiente de UTI. Usualmente esses tratamentos incluem suporte ventilatório, drogas vasoativas contínuas, etc...". 

O texto segue dizendo que para esses pacientes não há limites em se iniciar ou introduzir terapêutica necessária. A descrição dá como exemplos pacientes em choque ou com instabilidade hemodinâmica (pressão arterial alterada); pacientes em insuficiência respiratória aguda necessitando suporte ventilatório; ou pacientes com insuficiência de outros órgãos. A recomendação reforça "sempre excluindo os pacientes da PRIORIDADE 3, e buscando evitar os pacientes da PRIORIDADE 2".

Pacientes na "Prioridade 2" devem ter os encaminhamentos evitados, numa situação de falta de leitos. São classificados, no protocolo, como criticamente doentes, mas que têm uma probabilidade reduzida de sobrevida pela doença de base ou natureza da sua doença aguda. 

"Esses pacientes podem necessitar de tratamento intensivo para aliviar uma doença aguda, mas podem estar limitados à intervenções terapêuticos, como intubação ou reanimação cardiopulmonar", descreve o texto. 

Os exemplos incluem pacientes com neoplasias metastáticas com performance prévia boa, que estão com um quadro infecioso agudo no momento; pacientes com tamponamento cardíaco; pacientes com insuficiência renal aguda; ou pacientes com obstrução de via aérea.

Não devem ser encaminhados para UTI os doentes em situação de morte iminente, com doença preexistente grave avançada e com sinais de terminalidade, desejo prévio contrários a UTI e Ventilação Mecânica Invasiva (VMI). Eles são a Prioridade 3. 

A descrição dá como exemplos: dano cerebral grave irreversível, disfunção de múltiplos órgãos irreversíveis, câncer metastático irresponsivo a quimio/radioterapia, pacientes com capacidade de tomar decisões que declinam de cuidados de terapia intensiva e/ou monitoração intensiva e que recebem apenas cuidados paliativos (de conforto apenas), morte encefálica de não doadores ou pacientes em estado vegetativo persistente. 

Pacientes em boas condições clínicas também deverão ter o encaminhamento evitado.

Ocupação de leitos

Há mais de uma semana, o Estado registra ocupação de vagas de terapia intensiva na rede pública acima de 90%. `Pelas projeções da Secretaria de Estado da Saúde, esse índice não deve diminuir em abril. O secretário admitiu em coletiva de imprensa que o risco de colapso é real. 

"O risco real de colapso existe e para que não ocorra é necessário a adesão das pessoas e das instituições à quarentena estabelecida pelo Governo do Estado do Espírito Santo", insistiu. 

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