Especial Helio Dórea| Nada é por acaso

Conheça mais sobre a história de Helio Dórea, um dos mais importantes contadores de histórias do Espírito Santo, no Caderno Especial que celebra os seus 65 anos de colunismo diário

Folha Vitória
Foto: Iures Wagmaker / Folha Vitória
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Segundo o próprio Helio, as primeiras colunas eram feitas ‘catando milho’ em máquinas de datilografar bem antigas, até mesmo para época

Enquanto seguia se dedicando a faculdade de Odontologia, Helio Dórea também expandia, dia após dia, o número de amigos, conhecidos e também de festas e bailes que frequentava no Espírito Santo. E foi justamente em uma delas que conheceu a mulher de sua vida, mas essa história vou contar um pouco mais à frente. Voltando a falar da relação de Helio com o jornalismo capixaba, tenho que mencionar que essa conexão começou como leitor. Para ficar informado sobre tudo que acontecia no estado, lia diariamente dois dos principais jornais da época: O Diário e A Gazeta.

Foto: arquivo pessoal
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Hélio Dórea no começo da década de 1960

Criado em 1955, o Diário não só foi um importante formador de opinião para a sociedade capixaba, mas também um laboratório para a formação de jornalistas. Clássico representante do “jornalismo de vanguarda”, o periódico, que nasceu com objetivos políticos, logo conquistou o público com manchetes que priorizavam a violência, mas também o colunismo social, apresentando tudo que acontecia na high society.

Um dos colunistas era Aref Asseuri, um jovem vindo do município de Cachoeiro de Itapemirim. Como não conhecia ninguém em Vitória, sempre ligava para Helio Dórea querendo saber dos principais eventos e notícias que aconteciam em torno da capital. Dessa forma, era Helio que praticamente fazia a coluna todos os dias. Até que surgiu um convite inusitado. Em razão de uma viagem, Aref pediu que Dórea assumisse, provisoriamente, o comando da coluna. Como era um pedido amigo, ele aceitou, mas logo foi surpreendido com a notícia de que era para assumir o posto, já que o jovem cachoeirense não voltaria mais ao estado.

Foto: arquivo publico
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                   Edição do jornal O Diário 

Com foco total, ou quase total, ainda no curso de Odontologia, que seguia em reta final, Helio foi até a sede do jornal da Rua Sete, como era conhecido, para entregar a coluna. Ao procurar o editor da época, Rosendo Serapião, foi convencido a ficar no posto até acharem alguém para a função. Em contrapartida, o mais novo colunista da praça iria receber um salário, fato que fez o jovem aceitar a empreitada, já que ainda era mantido pela mesada do pai.

Segundo o próprio Helio, as primeiras colunas eram feitas ‘catando milho’ em máquinas de datilografar bem antigas, até mesmo para época. Mas, como sempre foi, e continua sendo, enquanto estava com um olho no que escrevia, o outro sempre estava procurando algo ao redor. E foi assim que se deparou com um verdadeiro achado dentro da estrutura do jornal: os anúncios.

Foto: Arquivo Público do Estado do Espírito Santo (APEES)
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                     Foto da rua Sete de Setembro, no Centro de Vitória, na década de 1950

Ao perceber que algumas pessoas levaram publicidade ao periódico, foi ao diretor perguntar como funcionava o esquema. E quando ouviu que a comissão era de 30% em cima do valor, Helio logo entendeu que poderia expandir ainda mais os seus ganhos, já que conhecia praticamente todo mundo em Vitória.

Foto: arquivo pessoal
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Na década de 60, enquanto colunista de O Diário, ao lado dos irmãos Adroaldo e Dorivaldo Dórea

Pouco tempo depois, o colunista começou a vender tantos anúncios que encheu O Diário de publicidade. E foi assim que chamou a atenção do senhor Eugênio Queiroz, presidente do jornal A Gazeta, o mais importante do estado, e fez surgir um convite que resultaria em 41 anos de história.

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