Folha Vitória Grande Vitória já registrou 755 crimes contra dignidade sexual este ano

Grande Vitória já registrou 755 crimes contra dignidade sexual este ano

Foram 115 casos a mais em relação ao mesmo período do ano passado; dados da Secretaria de Segurança Pública apontam que metade das vítimas são adolescentes

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Foto: reprodução pixabay
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O número de casos de abuso na Grande Vitória aumentou nos primeiros meses do ano em comparação com o mesmo período do ano passado. Os casos deixam um profunda dor e angústia que as vítimas carregam por anos. 

De acordo com dados da Secretaria de Estado da Secretaria Pública (Sesp), entre janeiro a julho deste ano, 755 crimes contra a dignidade sexual foram registrados na Grande Vitória. Foram 115 casos a mais em relação ao mesmo período do ano passado.

Mãe, avó e uma pessoa cheia de traumas. Priscila Oliveira é uma das centenas de mulheres vítimas de algum tipo de violência sexual no Espírito Santo. A servidora pública conta que ao longo da infância e da adolescência sofreu abusos sexuais. 

Foto: Reprodução TV Vitória
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Emocionada, Priscila diz que nunca conseguiu esquecer o trauma sofrido na juventude.

"Dentro do local que você quer se sentir protegida, cuidada, foi onde fui violentada. Isso me parou quase que a vida toda. Eu tenho muito medo, problemas psicológicos, transtorno de ansiedade, pesadelos, entre outras doenças que fui desencadeando".

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Para Priscila, um dos momentos mais difíceis foi quando conseguiu falar sobre o que estava acontecendo. Na época, muitas pessoas, inclusive a própria família, não acreditaram. 

"É como se eu tivesse em uma corda bamba bem alta, sem ter onde se segurar. Hoje eu tenho muito apoio da minha mãe, da minha família. Mas eu queria ter tido esse apoio lá trás, eu precisava desse apoio, desse acolhimento".

Após décadas, ela foi vítima novamente. Um familiar mandou uma mensagem pedindo que ela enviasse fotos íntimas. 

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"Quando eu vi, não acreditei. Entrei em pânico. Tive uma crise de ansiedade muito grande na época. Minha mãe estava perto, ela viu o que ocorreu e, a partir dai, tive um retrocesso. Abriu uma ferida, passei muito mal. É nojento, é ruim, é muito difícil ter que passar por isso como mulher", desabafa.

Casos semelhantes são recorrentes. Há pouco mais de um mês, um gesseiro de 42 anos foi preso suspeito de ter abusado de gêmeas de 3 anos na Serra. As duas estavam sob os cuidados da avó, com quem o suspeito morava e tinha relacionamento.

Na última semana, um dentista de 43 anos foi preso no consultório no Centro de Linhares. Ele é investigado por estupro e assedio cometidos contra recepcionistas e pacientes nos anos de 2020, 2021 e 2022. 

Outros dados preocupam

Além do aumento expressivo, outros dados preocupam. Mais da metade de todos os casos acontecem dentro das casas das vítimas, que são, em grande maioria, mulheres. Ainda segundo os dados da Sesp, metade das vítimas são adolescentes de até 13 anos.

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A delegada Silvana Soeiro de Castro reforça a importância das vítimas se encorajarem e denunciarem os crimes. Ela destaca que, mesmo se os familiares não acreditarem no relato, a polícia está pronta para escutar e investigar os casos.

"Tolerância zero para este tipo de crime. Quero dizer para todas as vítimas: a polícia acredita em você, venha até nós. A função da polícia é investigar. Às vezes, alguém que não é vítima, mas sabe de algum caso pode denunciar. Nós vamos apurar", frisa.

*Com informações do repórter Caio Dias, da TV Vitória/Record TV.

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