Marcha das Mulheres Negras reúne centenas de pessoas na orla da zona sul do Rio
Marcha das Mulheres Negras reúne centenas de pessoas na orla da zona sul do Rio
Folha Vitória|Do R7
Rio de Janeiro - Centenas de pessoas acompanharam neste domingo a III Marcha das Mulheres Negras, na Avenida Atlântica, na orla de Copacabana, zona sul do Rio.
A manifestação tinha como objetivo chamar a atenção para a desigualdade e a discriminação vividas diariamente por mulheres negras em todo o País.
"Queremos mais respeito, mais dignidade. Nossa luta é pela igualdade, pelo respeito às mulheres negras. A cada 24 horas, 13 mulheres negras são assassinadas neste País", disse Eliana Custódio, uma das organizadoras da marcha.
De acordo com dados divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) no ano passado, entre 2005 e 2015, o porcentual de negro e negras universitários saltou de 5,5% para 12,8%. No entanto, esse o crescimento positivo não é igual quando a análise é a ocupação de vagas no mercado formal de trabalho. Mesmo mais graduados, os negros continuam com baixa representatividade nas empresas.
Nas organizações, a desigualdade entre brancos e negros aparece de forma gritante. Segundo dados de uma pesquisa do Instituto Ethos, realizada no último ano, pessoas negras ocupam apenas 6,3% de cargos na gerência e 4,7% no quadro executivo, embora representem mais da metade da população brasileira.
Neste contexto, a presença de mulheres negras, em comparação aos homens, é ainda mais desfavorável: elas preenchem apenas 1,6% das posições na gerência e 0,4% no quadro executivo. A situação só se inverte nas vagas de início de carreira ou com baixa exigência de profissional, como em nível de aprendizes (57,5%) e trainees (58,2%).
Outro desafio da população negra é a disparidade salarial. Ainda que tenha diminuído nos últimos anos, os dados sobre desigualdade de renda continuam a registrar um desequilíbrio considerável entre brancos e negros no Brasil.
A Pesquisa Mensal de Emprego (PME) do IBGE indica isso. No início de sua série histórica, em 2003, um negro não ganhava nem metade do salário de um branco (48%). Atualmente, pouca coisa melhorou. Fazendo a mesma comparação, em 2015, um negro passou a ganhar pouco mais da metade dos rendimentos de um branco (59%).
A atriz Taís Araújo ajudou a divulgar o evento.
O evento foi convocado pelo Fórum de Mulheres Negras do Estado do Rio de Janeiro. A concentração teve início às 10h, na altura do Posto 4, e deve terminar às 17h na praia do Leme, com a realização de uma feira de mulheres afroempreendedoras e roda de samba do grupo O Samba Brilha.








