Cidades Gêneros dos substantivos são temas de nova coluna de João Trindade

Gêneros dos substantivos são temas de nova coluna de João Trindade

Tem acontecido, em todo o país, com o apoio da mídia e

Portal Correio

Tem acontecido, em todo o país, com o apoio da mídia e de alguns setores ditos “progressistas” e “de esquerda”, uma verdadeira desmoralização e banalização da Língua Portuguesa. 

Desde “todos” e “todas”, que agora, pasmem! Virou “todes”; “cada um e cada uma”; “aqueles e aquelas” (como “pronomes pessoais”), até o famigerado “a poeta”, disseminado, inicialmente, em verdadeira “campanha” lançada pela “Folha de São Paulo” e repercutido pelas feministas; estas, com o ridículo argumento de que usar poetisa é machismo.

Ora, os gêneros dos substantivos nada têm a ver com os gêneros relativos a pessoas. Estou vendo a hora esses arautos da “democracia” na linguagem e “igualdade de gênero” defenderem o fim da regra de concordância nominal que diz que quando houver dois substantivos de gêneros diferentes o adjetivo ficará no masculino plural. A sorte é que a maioria desses “esquerdistas” sequer conhece as regras de concordância.

Mas voltemos ao horroroso “a poeta”.

As explicações dadas pelos defensores de tal termo são as mais disparatadas possíveis.

Certa vez, entrevistado num programa de rádio, a apresentadora me pediu explicações sobre o porquê de eu não aceitar o termo “a poeta”.

Terminada a explicação, a moça me veio com a seguinte indagação:

– Mas então por que Cecília Meireles diz, naquele famoso poema dela: “sou poeta”, e não “sou poetisa”?

Ora, poeta não é uma pessoa; é um ser inefável. Por isso, deve ser aplicado a homem e a mulher. Se o poeta é homem é poeta. Se o poeta é mulher, é poetisa. Não se pode extirpar um sufixo da Língua (e esse ISA é sufixo, sim; não há o que se questionar; é relativo a gênero, mas é sufixo; assim como papisa). Então, quer dizer que se uma mulher chegar a ser papa, vamos chamá-la a “papa”?

Em relação a jornais, algumas explicações são estapafúrdias.

Por exemplo:

No antigo e famoso “Manual de Redação” do Jornal do Brasil, a explicação beira o ridículo. Segundo aquele manual, o termo poeta deve ser usado para mulheres cuja poesia tenha reconhecida qualidade e poetisa quando a mulher escreva poemas sem qualidade. Dar para ler uma coisa dessa sem rir?

O Manual de Redação da Folha (tenho a segunda edição; não sei se mudaram recentemente; duvido muito) chega a inacreditável paroxismo. Simplesmente, diz:

“Não escreva poetisa; escreva poeta”.

Não diz, porém, por que não se deve escrever poetisa. Talvez porque eles sejam os donos a Língua e da linguagem.

Não se deve falar (e nem escrever) “todos e todas” e nem “a poeta”. A Língua não é tão “dinâmica” assim como apregoam. E não confundemos (é confundemos, mesmo!) Língua com linguagem; ou vice-versa.

* João Trindade

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