Infiltração do crime organizado não está só na polícia, alerta especialista
Mestre em Direito Penal discute a necessidade de novas políticas de combate após relatório divulgado pela Human Rights Watch
Cidades|Do R7, com RECORD NEWS
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A violência é uma das principais preocupações dos brasileiros, segundo um relatório divulgado pela Human Rights Watch. Em entrevista ao Jornal da Record News desta quarta-feira (4), Murillo Ribeiro, especialista em Direito Penal e ex-diretor-geral da Agência Central de Inteligência em Minas Gerais, destaca problemas como a governança criminal por facções e infiltração do crime organizado nas instituições estatais.
“A gente fala mais das polícias porque estão em maior número, estão em contato mais direto com os criminosos, mas essa infiltração se revela em várias outras instâncias. Também nos órgãos de justiça criminal, nos contratos públicos, na política, nos poderes de Estado, no Poder Legislativo”, comenta o especialista sobre o aumento das ações do crime organizado. Segundo ele, um relatório do Fórum Brasileiro de Segurança Pública, mostra que em cinco mercados o crime tem uma expectativa de lucro por ano de R$ 348 bilhões.

Ribeiro sugere que investimentos tanto na prevenção primária quanto na investigação criminal são necessários para melhorar a segurança da população e combater os grupos criminosos. “Brasil é um país absolutamente desigual, então nós temos que investir em qualidade, em prevenção primária, investir na base, na raiz, investimentos a médio e longo prazo, em saúde, lazer, bem-estar, estrutura, para que as populações que são subjugadas pelo crime organizado tenham uma qualidade de vida melhor e que a gente consiga reverter esse cenário”, diz.
De acordo com o relatório, a falta de confiança na polícia é outro problema, mais da metade dos brasileiros compartilham dessa desconfiança devido ao uso excessivo da força por policiais sem resultados contra o crime organizado. “Precisamos todos de uma governança coletiva para responder esse problema. Então, falta integração operacional, falta diálogo, falta priorização de orçamento”, explica.
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Apesar disso, o especialista comenta que mesmo com a violência policial também é necessário olhar para o outro lado da situação. “Muito se fala da letalidade policial, mas é preciso falar também dessa letalidade criminosa, que domina territórios, que subjuga populações e que abre, escancara uma nova realidade”, argumenta.
Para avançar no combate, Ribeiro propõe uma maior integração operacional por meio das Ficcos (Forças Integradas de Combate ao Crime Organizado), que já mostraram sucesso bloqueando recursos financeiros das facções criminosas. “Essa cooperação precisa acontecer não só entre as polícias, mas também entre os órgãos de controle de fiscalização de justiça criminal, como as receitas, como o Coaf, as aduanas. A gente precisa dar uma resposta completa e complexa para esse fenômeno”, finaliza.
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