‘Japonês da Federal’ assume cargo na Prefeitura de Cuiabá
Newton Ishii, conhecido pelas escoltas da operação em Curitiba, passa a atuar como secretário-adjunto de Governo
Cidades|Do R7, em Brasília
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O ex-agente da Polícia Federal Newton Hidenori Ishii, conhecido em todo o país como “Japonês da Federal”, passa a integrar a gestão municipal de Cuiabá. A nomeação consta no Ato GP nº 381/2026, assinado pelo prefeito Abilio Brunini, e entrou em vigor na segunda-feira (2).
Ishii ocupará o cargo comissionado de secretário-adjunto de Governo na estrutura comandada por Ananias Filho. A remuneração, conforme dados do Portal da Transparência, soma R$ 14,9 mil mensais — R$ 8,5 mil de salário e R$ 6,4 mil de verba indenizatória.
Na função, atuará na articulação institucional com foco em compliance e capacitação de servidores para cumprimento de normas administrativas.
“Newton é uma figura conhecida, experiente e inteligente. Fiz o convite para que ele atue na prefeitura pelo período em que estiver em Cuiabá, e ele aceitou. Agora ele vai fortalecer nossa gestão, com capacitação de colaboradores para o cumprimento de normas e regras na gestão pública”, ressaltou o prefeito Abilio.
Fama nacional na Lava Jato
A imagem de Ishii ganhou destaque durante a Operação Lava Jato, em Curitiba. Ele aparecia nas escoltas de políticos, empresários e investigados conduzidos pela Polícia Federal, tornando-se presença constante em telejornais e redes sociais.
O apelido “Japonês da Federal” circulou amplamente após menção em conversa gravada do então senador Delcídio do Amaral, episódio que ampliou sua projeção pública. A popularidade rendeu memes e até marchinha de carnaval com o refrão: “Aí meu Deus/ me dei mal/ bateu à minha porta/ o Japonês da Federal!”.
Condenação e aposentadoria
Apesar da notoriedade, a trajetória inclui condenação judicial. Ishii recebeu sentença por facilitação de contrabando na fronteira entre Brasil e Paraguai, no âmbito da Operação Sucuri, investigação iniciada em 2003 em Foz do Iguaçu. Ao todo, 28 pessoas foram identificadas no esquema; 24 acabaram condenadas.
A decisão determinou perda do cargo público e pagamento de multa de R$ 200 mil. O processo transitou em julgado, sem possibilidade de novos recursos.
Em 2016, chegou a cumprir prisão em regime semiaberto, com uso de tornozeleira eletrônica por falta de vagas no sistema prisional. A ordem partiu da Vara de Execução Penal da Justiça Federal em Foz do Iguaçu.
Ishii se aposentou em fevereiro de 2018. Houve questionamento no Tribunal de Contas da União sobre a contagem de tempo de serviço, mas posteriormente obteve aposentadoria especial voluntária.
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