João Trindade: Uso do hífen em compostos

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O que já não era simples ficou mais complicado depois da mais recente Reforma
ortográfica: o uso do hífen.

É uma infinidade de regras, com detalhes excessivos e é inútil tentar memorizá-
las. Não há solução: É, na dúvida, consultar um bom manual ou um dicionário.

A seguir, o emprego do hífen em compostos:

1. Usa-se o hífen nas palavras compostas que não apresentem elementos de
ligação. Exemplos: guarda-chuva, arco-íris, boa-fé, segunda-feira, mesa-redonda, vaga-
lume, joão-ninguém, porta-malas, porta-bandeira, pão-duro, bate-boca.

*Exceções: Não se usa o hífen em certas palavras que “perderam a noção de
composição”, como, por exemplo: girassol, madressilva, mandachuva, pontapé,
paraquedas, paraquedista, paraquedismo.

Pergunta-se: como o leigo vai saber se a palavra perdeu, ou não, “a noção de
composição”? Coisas dos acadêmicos que decidiram, unilateralmente, essa famigerada
Reforma…

2. Usa-se o hífen em compostos que têm palavras “iguais ou quase iguais” (sic),
sem elementos de ligação. Exemplos: reco-reco, blá-blá-blá, zum-zum, tico-tico, tique-
taque, cri-cri, glu-glu, rom-rom, pingue-pongue, zigue-zague, esconde-esconde, pega-
pega, corre-corre.

3. Não se usa o hífen em compostos que apresentam elementos de ligação.
Exemplos: dia a dia, pé de moleque, pé de vento, fim de semana, cor de vinho, ponto e
vírgula, camisa de força, cara de pau, olho de sogra.

Aqui, chamamos a atenção para o seguinte:

Antes da Reforma, usava-se o hífen quando a palavra dia a dia fosse substantivo
e não se usava quando fosse advérbio.

Como era antes:

O dia-a-dia dela é estafante (dia-a-dia = substantivo).
Dia a dia ela inventa novas formas de enganar (dia a dia = advérbio).

Como é agora:

O dia a dia dela é estafante (dia a dia = substantivo).
Dia a dia ela inventa novas formas de enganar (dia a dia = advérbio).

Incluem-se nesse caso os compostos de base oracional. Exemplos: maria vai
com as outras, leva e traz, diz que diz que, deus me livre, deus nos acuda, cor de burro
quando foge, bicho de sete cabeças, faz de conta.

* Exceções: água-de-colônia, arco-da-velha, cor-de-rosa, mais-que-perfeito, pé-
de-meia, ao deus-dará, à queima-roupa.

4. Usa-se o hífen nos compostos entre cujos elementos há o emprego do
apóstrofo. Exemplos: gota-d’água, pé-d’água.

5. Usa-se o hífen nas palavras compostas derivadas de topônimos (nomes
próprios de lugares), com ou sem elementos de ligação. Exemplos:

Belo Horizonte – belo-horizontino
Porto Alegre – porto-alegrense
Mato Grosso do Sul – mato-grossense-do-sul
Rio Grande do Norte – rio-grandense-do-norte
África do Sul – sul-africano

6. Usa-se o hífen nos compostos que designam espécies animais e botânicas
(nomes de plantas, flores, frutos, raízes, sementes), tenham ou não elementos de ligação.
Exemplos: bem-te-vi, peixe-espada, peixe-do-paraíso, mico-leão-dourado, andorinha-
da-serra, lebre-da-patagônia, erva-doce, ervilha-de-cheiro, pimenta-do-reino, peroba-do-
campo, cravo-da-índia.

Obs.: não se usa o hífen, quando os compostos que designam espécies botânicas e zoológicas são empregados em sentido figurado. Observe as seguintes comparações:

a) bico-de-papagaio (espécie de planta ornamental) – bico de papagaio(deformação
nas vértebras).

b) olho-de-boi (espécie de peixe) – olho de boi (espécie de selo posta

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