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Jovens travestis eram obrigados a quitar dívidas com silicone para deixar ONG em São Paulo 

Vítima que tentou fugir foi espancada. Telefones tinham de ser colocados no viva voz

Cidades|Alvaro Magalhães, do R7

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Os acusados de integrar a rede Belém do Pará-São Paulo de tráfico de pessoas e exploração sexual de travestis tinham lucro de quase 100% sobre passagens e implante que financiavam para as vítimas.

De acordo com as investigações, Celso Alves de Lima e Telma Rodrigues Nascimento gastavam cerca de R$ 2.000, com a passagem de ônibus e o procedimento médico. O valor cobrado das vítimas chegava a R$ 3.500.


O silicone era colocado por um médico que atende na Rua Sete de Abril, região da República, centro de São Paulo. O médico não foi denunciado.

Os jovens ainda tinham de pagar R$ 30 diários (R$ 900 por mês) pela estadia nas pensões dos acusados. Vítimas relataram que não podiam deixar os locais antes de quitar a dívida.


Ainda de acordo com as investigações, as dívidas eram cobradas de forma violenta. Em outubro de 2012, o Núcleo de Enfrentamento ao Tráfico de Pessoas do Pará informou as autoridades paulistas que uma das vítimas teria sido espancada após tentar voltar a Belém, por conta própria, de ônibus.

Telma é suspeita de fazer ameaças de morte.


Viva voz

Depoimentos de pais de vítimas também levam a crer que os jovens eram monitorados dentro das casas.


Em 2012, a mãe de uma das vítimas afirmou a investigadores de Belém que havia três meses que o filho dificilmente atendia ao telefone — e quando atendia, era no viva voz.

Segundo a mãe, o jovem falava laconicamente, sempre alertando antes que o aparelho estava com o volume ambiente, e não respondia a questões sobre dívida com traficantes e cárcere privado.

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