Juíza usa redes sociais para atacar advogado no Mato Grosso, diz OAB
Magistrada teria usado Instragram Stories para dizer que advogado de defesa em audiência presidida por ela fez "pergunta idiota"
Cidades|Kaique Dalapola, do R7

Uma juíza da 2ª Vara Criminal de Tangará da Serra (240 km de Cuiabá) é suspeita de usar as redes sociais para fazer publicações "desdenhando, atacando e desqualificando a atuação de profissionais da advocacia", segundo a OAB-MT (Ordem dos Advogados do Brasil de Mato Grosso).
Uma captura de tela de uma foto publicada no Instagram Stories (ferramenta em que as imagens ficam por 24 horas) da juíza mostra duas fotos dela com legenda dizendo sobre uma "pergunta idiota" que teria sido feita pelo advogado de defesa da audiência à qual ela presidia. Segundo a assessoria de imprensa da OAB-MT, a publicação foi feita na terça-feira (10).
O R7 recebeu as imagens por meio da assessoria da OAB-MT. O perfil onde a magistrada teria publicado as ofensas tem o conteúdo restrito a seguidores. A reportagem tentou contato com a juíza via redes sociais, mas não obteve retorno. Também não conseguiu contato telefônico com a comarca onde ela atua.
Na primeira publicação, a frase atribuída à juíza é a seguinte: "Aquela falta de paciência que vai dando quando a audiência é estressante e o advogado começa a fazer pergunta idiota". Em seguida, outra postagem: "Aquela satisfação quando da pergunta idiota vem uma resposta que é tudo que a defesa não queria ouvir".
Em nota divulgada pela OAB-MT na tarde desta sexta-feira (13), o presidente da entidade, Leonardo Campos, afirmou que a atitude da magistrada é "lamentável" e completou dizendo que "além de infeliz e desnecessário, o comportamento da juíza em nada contribui para a distribuição da justiça".
A entidade entrou, nesta sexta-feira, com pedido para que a CGJ-MT (Corregedoria-Geral da Justiça de Mato Grosso) tome providências com relação à conduta que a juíza teria adotado no Instagram. Uma cópia da representação deve ser encaminhada para o Conselho Nacional de Justiça nos próximos dias.
De acordo com o presidente da TDP (Tribunal de Defesa das Prerrogativas), André Stumpf, advogados que atuam em municípios menores, onde têm apenas um juiz, os profissionais "acabam se intimidando diante de atitudes semelhantes a essa no intuito de preservar o direito de seus clientes".
Stumpf ainda destacou que essa não teria sido a primeira vez que ocorreu o problema. "Já existem casos em apuração em que, após reclamação do advogado, o magistrado passou a proferir decisões controversas".
Segundo a assessoria da OAB-MT, a magistrada deve continuar exercendo suas funções normalmente até que a Corregedoria julgue o caso.













