Justiça determina prisão de dez dos 11 vereadores em cidade no TO
Vereadores de Augustinópolis são suspeitos de cobrar propina para aprovar projetos de lei enviados pela prefeitura. Até o momento, sete foram presos
Cidades|Ingrid Alfaya, do R7

A Justiça do Tocantins determinou nesta sexta-feira (25) a prisão de dez dos 11 vereadores da Augustinópolis, cidade no norte do Estado e a 145 km de Palmas, por um esquema de corrupção dentro da Câmara Municipal. Até o momento, sete vereadores foram presos e três estão foragidos.
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A operação batizada de Perfídia, que está sendo realizada pela Polícia Civil e Ministério Público, investiga a cobrança de propina para aprovar projetos de lei enviados pela prefeitura da cidade. Ao todo, foram expedidos 14 mandados de busca e apreensão, dez de prisão temporária e três de condução para depoimento.
Segundo o delegado Jacson Wutke, as investigações apontam que os vereadores cobravam altos valores mensais do prefeito em troca das aprovações. “Existem áudios que mostram em detalhes como funcionava o esquema. Eles chateavam o prefeito em troca da aprovação de pautas importantes para a comunidade”, explica o delegado.
Ainda de acordo com Wutke, apenas o presidente da Câmara não fazia parte do esquema de corrupção passiva. “O presidente é adversário político e familiar do prefeito e, por isso, não participava da negociação, mas ele será chamado para depor.”
Áudios
Em um dos áudios captados no dia 31 de janeiro, os vereadores participam da sessão para aprovar a Lei Orçamentária de Augustinópolis. O certame durou cerca de quatro horas.
“Durante toda a sessão nenhuma pauta da lei foi discutida. Durante todo o tempo os vereadores aguardavam a chegada da propina”, disse Wutke. “Assim que o dinheiro chegou o orçamento municipal foi aprovado e a sessão encerrada.”
Após buscas e apreensões na prefeitura, Câmara Municipal, residência dos investigados, sete vereadores foram afastados de suas funções por 180 dias e presos temporariamente. Outros três estão foragidos. “Um deles é também policial civil. Por isso, a corregedoria está participando da operação.”










