Líder quilombola Teodoro Lalor é morto no Pará
Vítima sofria ameaças de proprietários de terras vizinhas às comunidades que ele defendia
Cidades|Do R7, com Fala Brasil e Agência Brasil

O líder quilombola Teodoro Lalor de Lima, conhecido como Senhor Lalor, foi encontrado morto nesta segunda-feira (19) em Belém, no Pará. Ele foi esfaqueado no peito por um homem que invadiu a casa de um parente onde Lalor estava hospedado, fugindo em seguida.
Senhor Lalor era presidente da Associação dos Remanescentes de Quilombo de Gurupá, no município de Cachoeira do Arari, na Ilha de Marajó, e era conhecido por lutar, há mais de 40 anos, pelos direitos dos quilombolas no Estado.
Ele tinha ido a Belém participar do Encontro Estadual de Quilombolas do Pará, que vai até a próxima quinta-feira (22). Na última terça-feira (13), durante audiência pública promovida pelo MPF (Ministério Público Federal) e Ministério Público do Estado, o líder denunciou a perseguição de fazendeiros da região à comunidade quilombola.
Na mesma audiência, o Incra (Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária) entregou à Comunidade de Gurupá o RTID (Relatório Técnico de Identificação e Delimitação), que reconhece as terras onde fica a comunidade como de ocupação tradicional de descendentes de escravos levados à região para trabalhar em fazendas.
Organizações que defendem o meio ambiente e os direitos das populações tradicionais divulgaram uma carta na qual relatam que, em visita à comunidade onde vivem os mais de 700 moradores, no último dia 14, os moradores se mostraram preocupados com a situação e pediram a "ajuda do Ministério Público para que os direitos da população não sejam cerceados e que haja proteção das pessoas que fazem denúncias de discriminação e opressão".
A polícia ainda não tem suspeitas sobre o assassinato. Segundo outros líderes do movimento, Teodoro sofria ameaças, principalmente, de proprietários de terras vizinhas às comunidades que ele defendia. A polícia tenta agora localizar uma testemunha que vai ser chave para desvendar esse crime.
Assista ao vídeo:
