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Manifestantes pedem que Câmara se desculpe por punição contra vereadora que mostrou calcinha

Reunido na porta da Casa Legislativa de Aracaju, grupo vai protocolar requerimento

Cidades|Ana Cláudia Barros, do R7

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Varal de calcinhas foi montado em alusão ao gesto da parlamentar
Varal de calcinhas foi montado em alusão ao gesto da parlamentar

Um ato, iniciado na manhã desta quarta-feira (3) em frente à Câmara Municipal de Aracaju (SE), pede punição mais severa ao vereador Agamenon Sobral (PP) e a retratação da mesa diretora da Casa em relação à advertência verbal recebida pela vereadora Lucimara Passos (PC do B), na última terça-feira (2). Na semana passada, Lucimara mostrou uma calcinha enquanto discursava na tribuna e foi formalmente repreendida pelo gesto.

A vereadora tomou a iniciativa de exibir a peça íntima no Dia Internacional de Combate à Violência contra Mulher, em protesto à declaração de Sobral, ocorrida cinco dias antes. Durante discurso na Casa Legislativa, ele chamou de “vagabunda” e sugeriu punição física a uma noiva que decidiu se casar na igreja sem usar calcinha — mais tarde, descobriu-se que a notícia sobre a noiva era falsa. A exemplo de Lucimara, ele também sofreu advertência verbal. Ambos prometeram recorrer da decisão do presidente da Câmara, Vinicius Porto.


Em alusão e apoio ao gesto de Lucimara, um varal de calcinhas foi montado pelos manifestantes. O ato, articulado via redes sociais, ganhou a adesão de movimentos sociais, centrais de trabalhadores e sindicatos.

Em entrevista ao R7, uma das participantes explicou que, ao final do protesto, será protocolado na Câmara Municipal um requerimento popular para formalizar o pedido de punição a Agamenon Sobral e a retração no caso da vereadora. De acordo com Ana Carolina Westrup, do Movimento Nacional de Direitos Humanos, o documento foi produzido a partir de um estudo do Regimento Interno da Casa e da Lei Orgânica do Município.


— Se fosse uma pessoa normal, ele [Sobral] responderia criminalmente por uma fala dessa. Mas como é vereador, está se valendo da omissão da mesa diretora e da imunidade parlamentar para não responder a um processo criminal, o que é um absurdo [...] Pegamos uma conjuntura, pautada por essa fala criminosa do vereador, que é incitação à lesão corporal, crime tipificado no Código Penal Brasileiro, e fizemos a discussão de todas as formas de violência.

"Quero saber se, ao mostrar esta calcinha, os senhores vão me julgar", diz vereadora


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Ato começou por volta das 8h desta quarta-feira
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Para Ana Carolina, a advertência recebida por Lucimara Passos sinaliza uma distorção de valores.


— A sociedade está tão conservadora que somente o fato de Lucimara ter utilizado uma calcinha no parlamento parece que desqualificou todo discurso que ela proferiu, que foi um discurso fantástico sobre liberdade e autonomia, colocando o panorama da violência contra as mulheres sergipanas.

Os manifestantes pedem, entre outros, o fortalecimento dos sistemas de garantia contra a violência em relação à população feminina. Defendem ainda a igualdade e a liberdade de gênero. O requerimento terá a assinatura de todos os envolvidos. Ana Carolina calcula que cerca de 200 pessoas participam do ato.

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