Cidades Matança de adolescentes no Ceará foi motivada por briga de gangues

Matança de adolescentes no Ceará foi motivada por briga de gangues

Possibilidade de invasão de centro já tinha sido denunciada por jovens

  • Cidades | Giorgia Cavicchioli e Kaique Dalapola, estagiário do R7*

Adolescente tinha tatuagem relacionada à gangue

Adolescente tinha tatuagem relacionada à gangue

Reprodução

A matança que vitimou quatro adolescentes com idades entre 12 e 17 anos em Fortaleza, no Ceará, nesta segunda-feira (13) teria sido motivada por uma disputa de gangues. Jovens denunciaram o risco de invasões ao centro por gangues rivais.

Na chacina, os jovens foram arrancados Centro de Semiliberdade Mártir Francisco por 15 criminosos, espancados e depois mortos.

O R7 teve acesso a um vídeo em que uma vítima aparece sendo agredida momentos antes de ser assassinada. Nele, o agressor pergunta se o adolescente era do bairro Barra.

Em seguida, ele manda o garoto mostrar a tatuagem que tinha na mão direita. Nela, é possível ver os números 745. Os números correspondem à sétima, quarta e quinta letra do alfabeto, o que completa a sigla GDE. Ela representa o nome de uma das gangues: Guardiões do Estado.

Denúncias

Ao R7, uma representante de grupo de mães de jovens que estão nos centros socioeducacionais da cidade afirmou que o risco era denunciado pelos próprios adolescentes desde agosto à Vara da Criança e do Adolescente.

De acordo com o juiz Manuel Clístenes, titular da 5ª Vara, os jovens que denunciaram o medo de ficar no centro foram devolvidos às famílias. Os adolescentes que foram mortos na chacina não tinham denunciado as ameaças.

Ainda segundo o juiz, o Estado foi comunicado sobre as denúncias específicas sobre os riscos de invasão. A coordenadora do centro, também foi avisada em uma audiência. Porém, ela teria refutado a possibilidade de algo do tipo acontecer.

o centro socioeducativo foi interditado nesta terça-feira (14) pela Justiça e permanecerá assim no mínimo por sete dias.

Gangues

Em Fortaleza, cada bairro tem a sua própria gangue. Isso gera diversos conflitos na região. Segundo a mãe, a morte dos jovens no Centro Mártir Francisco, no bairro Sapiranga, é reflexo disso.

O grupo relata que, todas as vezes que os adolescentes voltavam para casa eram abordados e questionados sobre o bairro onde moravam. Assim, era possível deduzir a qual gangue eles pertenciam.

Por meio de nota, o grupo de mães se manifestou sobre o caso desta segunda. Nela, elas dizem que "o maior executor e responsável pelo ocorrido foi o ouvido surdo do nosso Estado omisso e violador de direitos, especificamente aqui os da criança e dos adolescentes". O grupo ainda exigiu a "responsabilização dos culpados".

O R7 entrou em contato com a Secretaria da Segurança Pública e Defesa Social do Ceará para fazer questionamentos sobre as denúncias. Até o fechamento desta reportagem, o órgão não se manifestou.

A reportagem também entrou em contato com o centro para falar com a coordenadora. Porém, ela não atendeu às ligações.

A chacina

Segundo investigações da polícia, um grupo de 15 homens armados invadiu o Centro de Semiliberdade Mártir Francisco e renderam os seguranças.

Depois, eles teriam seguido para o dormitório onde estavam as quatro vítimas. Eles teriam, então, sido arrastados para fora.

Após serem espancados, eles teriam sido executados com tiros na cabeça. Ainda segundo a polícia, dois dos jovens mortos tiveram as mãos arrancadas a golpes de faca e facão.

* Sob a supervisão de Alvaro Magalhães, do R7.

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