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Mortes em UTI: defesa de médica pede exumação de corpos e fala em "escândalo provocado"

Advogado de Virgínia Souza aposta em "reviravolta" baseada em carta-denúncia

Cidades|Fernando Mellis, do R7

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Médica é acusado de provocar ao menos 7 mortes em UTI de hospital em Curitiba
Médica é acusado de provocar ao menos 7 mortes em UTI de hospital em Curitiba ANDRÉ RODRIGUES/ESTADÃO CONTEÚDO

Um escândalo que teria como objetivo desmoralizar e enfraquecer o Hospital Universitário Evangélico de Curitiba para que um grupo empresarial assumisse o controle da instituição. É o que sugere carta entregue ao advogado da médica Virgínia Helena Soares de Souza, de 56 anos, acusada pelas mortes de sete pacientes internados na UTI (Unidade de Terapia Intensiva) entre 2006 e fevereiro deste ano. O documento foi anexado ao processo do caso na quinta-feira (11), junto com a apresentação da defesa preliminar dela à 2ª Vara do Júri de Curitiba.

Além da carta divulgada à imprensa pelo advogado Elias Mattar Assad, outra foi entregue ao juiz Daniel Avelar. A primeira tem informações superficiais, a segunda possui nomes e outros dados concretos, segundo Assad. O R7 teve acesso a uma delas, escrita à mão.


O autor, que se identifica como integrante de um grupo de educação superior e engenharia de São Paulo cujo nome não é mencionado, fala sobre uma “Operação Paraná”, supostamente montada por empresários para adquirir “a qualquer custo e sem custo algum um hospital em Curitiba”. O alvo seria o Hospital Evangélico, por possuir uma faculdade de medicina respeitada.

Ainda de acordo com a carta, o grupo enviou investigadores particulares à capital paranaense para obter “todas as informações possíveis sobre pessoas, patrimônios, dados contábeis, processos contra o hospital e facções que tiveram interesses contrariados ou que obtiveram alguma parcela de poder interno”.


O autor relata que funcionários demitidos e outras pessoas foram aliciados. Segundo ele, tal investigação teria convergido para a UTI e para “a médica Virgínia, dona de um temperamento difícil, muito rigorosa com funcionários”.

O erro na transcrição telefônica, que trocou a palavra “raciocinar” por “assassinar” e motivou a prisão da médica é citado como sendo “encomendado”. O documento também diz que o escândalo aconteceu em um momento de dificuldades financeiras do hospital.


Assad afirmou que acredita nas informações que estão na carta e que quer que o autor conste como testemunha no processo. O defensor diz que a suposta armação, se confirmada, provocará uma “reviravolta” no caso.

Exumação de corpos


A defesa da médica Virgínia Helena pediu, junto à apresentação da defesa preliminar, a exumação dos corpos de todas as supostas vítimas da médica e da equipe dela. O objetivo é provar que elas morreram de outras causas e não em decorrência dos remédios aplicados, como diz a acusação. O advogado afirma que as pessoas citadas no processo contra Virgínia e outros três médicos, além de três enfermeiros e uma fisioterapeuta, foram vítimas de doenças que já sofriam.

— O MP vai ter que provar que as pessoas não morreram daqueles males que elas já tinham, que morreram de um remédio. Vai ser difícil provar. Esse pessoal que morreu teria entrado em óbito em qualquer UTI do mundo e com os mesmos medicamentos.

A partir de agora, os advogados dos outros sete réus também devem apresentar as defesas preliminares, o que deve acontecer nos próximos 40 dias. Em seguida, o juiz vai marcar a primeira audiência de instrução, onde as testemunhas de acusação serão ouvidas.

Entenda o caso

São acusados pelas mortes na UTI geral do Hospital Universitário Evangélico de Curitiba: a ex-chefe do setor, Virgínia Helena Soares de Souza, de 56 anos; os médicos Edison Anselmo da Silva Júnior, de 33 anos; Maria Israelita Cortez Boccato, de 37 anos; Anderson de Freitas, de 32 anos; os enfermeiros Claudinei Machado Nunes, de 45 anos; Laís da Rosa Groff, de 24 anos; e Patrícia Cristina de Goveia Ribeiro, de 37 anos; além da fisioterapeuta Carmencita Emília Minozzo, de 44 anos.

Virgínia responde por sete homicídios duplamente qualificados. Os demais funcionários são acusados por participações em não mais do que dois casos. Eles também respondem por formação de quadrilha. Todos afirmam ser inocentes. Os crimes, segundo a Promotoria, aconteceram entre janeiro de 2006 e fevereiro deste ano.

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