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Músico se recusa a receber fígado de morto e ganha órgão de pernambucana com doença rara 

Os dois passaram por cirurgia com técnica que permite transplantes simultâneos 

Cidades|Sylvia Albuquerque

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Pacientes conversam com médico que coordenou transplantes simultâneos
Pacientes conversam com médico que coordenou transplantes simultâneos

O músico Horácio Calil Jorge, de 64 anos, precisava de um novo fígado e há três anos estava na fila de espera. No entanto, não queria receber o órgão de um morto por entender que “alguém perderia a vida” para ele ganhar a dele. A solução veio da dona de casa Andrea Cavalcanti dos Santos, de 44 anos, portadora de uma doença degenerativa rara.

Ela tem PAF (Polineuropatia Amiloidótica Familiar), uma alteração genética que faz com que o fígado produza uma proteína anormal que se deposita em tecidos e órgãos causando alterações nos movimentos, insensibilidade, problemas visuais e gastrointestinais.


Por isso, ela precisava de um novo fígado para não perder os movimentos das pernas. O órgão, inútil para Andrea, é considerado bom para Horácio, portador de colangite esclerosante primária. A condição autoimune causa coceiras intensas e esgotamento físico. Apesar de poder desenvolver a PAF, Horácio só poderá sofrer da doença daqui a pelo menos 30 anos.

Os dois passaram por uma cirurgia no Hospital Jayme da Fonte em Recife (PE) com a técnica chamada dominó, que permite dois transplantes ao mesmo tempo. Horácio recebeu o fígado de Andrea e ela de uma pessoa que morreu. A operação durou mais de 15 horas e os dois deixaram o hospital na última quarta-feira (6).


Andrea conta que dois irmãos dela perderam os movimentos das pernas e braços por não terem conhecimento do que é a doença. Em outubro do ano passado ela sentiu dormência nas mãos e procurou um médico. 

— Eu tive umas dormências na mão e corri para o médico. Um mês depois eu já estava na fila do transplante. Sou mais nova que meus irmãos e tive a sorte de ter a informação do que é a doença e conseguir me tratar a tempo.


Os dois pacientes se conheceram na fila de espera. Horácio é morador de São Paulo e viajou até Recife para a cirurgia. Livre do receio de receber o órgão de um morto, ele diz que se encantou com Andrea. 

— Ela é um amor, uma pessoa simples. Desejo que nenhum de nós tenha rejeição e quero retomar minha agenda de shows. Vou tocar muito agora. 


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A técnica é pouco utilizada e foi considerada uma grande conquista para os médicos. O responsável pela equipe de cirurgia, Cláudio Lacerda, explicou o procedimento.

— O transplante hepático é um dos procedimentos mais complexos dentro da medicina e, fazê-lo utilizando a técnica dominó — é uma grande conquista para todos nós. 

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