Não basta ‘entrar dando tiro em favela’ para combater crime organizado, diz diretor da Human Rights Watch
Relatório da ONG internacional revelou que a violência é a maior preocupação dos brasileiros
Cidades|Do R7, com RECORD NEWS
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A violência é a principal preocupação da população brasileira, aponta relatório da Human Rights Watch divulgado nesta quarta-feira (4). Entre janeiro e novembro de 2025, a polícia matou 5.920 pessoas, mais do que no mesmo período no ano anterior.
Em entrevista ao Hora News, o diretor da organização não-governamental de direitos humanos no Brasil, César Muñoz, cita os números atualizados do Ministério da Justiça, que identificou mais de 6.500 vítimas da letalidade policial. Uma “tragédia”, segundo ele.

Ainda que os homicídios registrados nos 11 meses apresentem uma queda de 10%, a entidade considera que novas estratégias de segurança pública devem ser adotadas para combater o crime organizado.
“As pessoas têm medo de sair na rua e ter o telefone furtado, ou serem assaltadas. E num ano eleitoral como o 2026, eu acho que é um momento muito importante para ter esse debate sério sobre quais são as políticas de segurança pública que funcionam e que verdadeiramente protegem a população”, diz Muñoz.
Ele explica que a tendência da segurança pública no país é baseada no confronto — um perigo tanto para os policiais quanto para as comunidades —, algo que não se mostra efetivo. “Ao final, quando você tem operações enormes nas comunidades contra grupos criminosos, a polícia no dia seguinte não está lá. No dia seguinte a mesma facção está controlando o território. Então precisamos de novas políticas de segurança pública que verdadeiramente desmantelem os grupos criminosos e ofereçam segurança às pessoas.”
O estudo também revelou que mais da metade dos brasileiros não confia na polícia. A falta de credibilidade da instituição acaba corroborada pelo saldo das grandes operações policiais, em que o uso excessivo da força é priorizado frente a ações técnicas que tragam resultados reais para a vida da população.
“Eles veem essas imagens de operações policiais onde claramente há uso excessivo da força e que ao final não desarticulam e não desmantelam grupos criminosos. O que nós estamos pedindo é um debate sério baseado em dados, em ciência, e que priorize a investigação, que priorize, por exemplo, as perícias independentes”, pontua o diretor.
Ele destaca a importância da articulação entre os diversos órgãos federais e estaduais que atuam no combate ao crime, para promover uma ação coordenada que realmente atinja os grupos criminosos. Uma de suas recomendações é que o Ministério Público lidere investigações sobre letalidade policial.
“Para você combater isso, não adianta você entrar dando tiro na favela. Porque não é aí que você tem que olhar. Você tem que olhar na estrutura empresarial desses grupos criminosos”, argumenta. Muñoz ainda destaca os impactos da cooptação de agentes de segurança e autoridades nas facções.
“Quando você tem esse envolvimento, é uma ameaça para todo mundo. E tem um vínculo entre a corrupção e práticas abusivas da polícia. Quando você tem policiais que podem matar com impunidade, eles podem extorquir com impunidade. Podem trabalhar com o tráfico com impunidade. Podem trabalhar com as milícias com impunidade. Então é um acúmulo de ilegalidades que é muito negativo.”
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