Nova operação prende mais quatro por adulteração em 113 mil litros de leite no RS
Ação do MP ocorreu em duas transportadoras que levariam produto para o Paraná
Cidades|Do R7, com Rede Record

Quatro pessoas foram presas nesta quarta-feira (22) suspeitas de adulteração de leite em duas transportadoras nas cidades de Rondinha e Três de Maio, no Rio Grande do Sul. O Ministério Público deflagrou a segunda etapa da operação Leite Compen$ado. Em ambas empresas, era acrescentado ureia, que contém formol, ao leite.
Somente em Rondinha, 11 laudos do Ministério da Agricultura, entre os meses de fevereiro e maio deste ano, confirmaram a presença de formol no leite cru, somando um total de 113 mil litros impróprios para o consumo da população. Todo o produto tinha como destino a Confepar, uma união de cooperativas agropecuárias do norte do Paraná.
A prática ocorria desde fevereiro deste ano. De acordo com o Promotor de Justiça Mauro Rockenbach, a segunda fase da Operação Leite Compen$ado teve o objetivo de estancar a fraude de adulteração do leite em outros dois núcleos no Rio Grande do Sul.
Em Horizontina já havia sido detido na noite de segunda-feira (21) o empresário e vereador Larri Lauri Jappe. Segundo Rockenbach, a renovação do pedido de prisão contra Jappe foi motivada pela comprovação através de escutas telefônicas de que existia o risco de ele fugir do país. Também foi decretada novamente a prisão de Daniel Riet Villanova, já recolhido no Presídio Estadual de Espumoso desde a primeira fase da operação.
Nos trabalhos desta quarta-feira foram apreendidos três caminhões utilizados para o transporte de leite, notas fiscais que comprovam a aquisição de ureia e planilhas com os dados do recolhimento do produto alimentício junto a produtores.
De acordo com Mauro Rochenbach, desde fevereiro deste ano a indústria leiteira estava ciente de que o leite cru recebido dos postos de resfriamento nos quais houve detecção de formol não deveria ser utilizado na produção de leite UHT e pasteurizado. No entanto, ainda não é possível atestar se a medida foi cumprida.
As investigações do Ministério Público tiveram início em fevereiro deste ano e comprovaram que empresas gaúchas de transporte de leite adulteraram o leite cru entregue para a indústria. Uma das formas de adulteração identificadas é a da adição de uma substância semelhante à ureia e que possui formol em sua composição. A adulteração consiste no crime de corrupção de produtos alimentícios, previsto no artigo 272 do Código Penal.
A simples adição de água, com o objetivo de aumentar o volume, acarreta perda nutricional, que é compensada pela adição da ureia – produto que contém formol em sua composição – e é considerado cancerígeno pela Agência Internacional para Pesquisa sobre Câncer e pela Organização Mundial de Saúde.
A fraude foi comprovada através de análises químicas do leite cru, onde foi possível identificar a presença do formol, que mesmo depois dos processos de pasteurização, persiste no produto final. Com o aumento do volume do leite transportado, os "leiteiros" lucravam 10% a mais que os 7% já pagos sobre o preço do leite cru, em média R$ 0,95 por litro.
Denúncia
Na última segunda-feira (20), o juiz Ralph Moraes Langanke aceitou denúncia do Ministério Público do Rio Grande do Sul contra 11 pessoas acusadas pela adulteração do leite na região de Ibirubá, no noroeste do Rio Grande do Sul.
Os promotores que atuaram no caso afirmam que, no período entre dezembro de 2012 a maio de 2013, os denunciados associaram-se para adulterar o leite in natura, mediante a adição de água e ureia, que contém formol, substância considerada cancerígena, em sua composição. Eles responderão por adulteração de alimentos e formação de quadrilha.















