‘O feminicídio não começa com o tiro’: entenda os sinais de perigo em um relacionamento
Advogada aborda a morte da policial militar Gisele Alves e alerta mulheres sobre relacionamentos abusivos
Cidades|Do R7, com RECORD NEWS
LEIA AQUI O RESUMO DA NOTÍCIA
Produzido pela Ri7a - a Inteligência Artificial do R7
Após uma série de investigações que analisaram exames periciais, fotos e vídeos, a morte da policial militar Gisele Alves, que ocorreu no dia 18 de fevereiro, foi categorizada como feminicídio em vez de suicídio. As mais de 1.300 páginas investigadas pela polícia revelaram que o marido de Gisele, Geraldo Neto, mantinha uma relação abusiva e controladora com a esposa.
Durante uma entrevista concedida ao Hora News desta sexta (20), a doutora, ex-promotora de justiça do estado de São Paulo e advogada especialista em direitos das mulheres, Gabriela Manssur, lamentou a morte de Gisele e de todas as outras que já foram vítimas de feminicídio no Brasil.

“O feminicídio não começa com um tiro [...] o tiro que é o golpe final do feminicídio [...] O excesso de cuidado camufla essa posse sobre a mulher. [...] E faz com que ela acredite que somente aquela pessoa é quem vai lhe dar amor, atenção, carinho e cuidado. Isso evolui para comportamentos agressivos. Nunca o tapa vem primeiro, mas sempre é um grito, uma ameaça, uma intimidação”, afirmou a advogada.
Gabriela explica que o motivo pelo qual muitas mulheres não saem de relacionamentos do tipo é devido à dependência emocional e financeira que é criada com o agressor. Além de tais fatores, a falta de apoio, de medidas protetivas rigorosas, de financiamento e de fiscalização das leis aumenta ainda mais o risco pelo qual milhares de mulheres passam no Brasil.
“Homem que descumpre medida protetiva tem que estar preso porque ele também oferece um risco de vida àquela mulher”. A ex-promotora enxerga que as medidas protetivas de urgência são um dos principais avanços para prevenir a violência contra a mulher e chama atenção para o raio-x do feminicídio, que comprovou que, a cada 100 mulheres assassinadas, 90 não possuíam tais medidas.
Leia mais
Ela argumenta: “O que seria dessas 90 mulheres se elas tivessem uma medida protetiva? [...] A medida não pode ser um papel na mão; ela tem que ser um escudo de proteção para a mulher, com a fiscalização rigorosa dessas medidas protetivas e a tornozeleira eletrônica. [...] Espero que de fato essa lei saia do papel e seja executada”.
A advogada finaliza a entrevista com um alerta a todas as mulheres para denunciarem às autoridades no caso de um relacionamento abusivo. “Você pode ser o que quiser, porque ninguém tem o direito de mandar no seu pensamento [...] Por isso, sejam independentes financeiramente. Estudem e trabalhem, porque mulheres autônomas conseguem sair mais fácil de um relacionamento abusivo antes que seja tarde demais”, conclui Gabriela.
Análises, entrevistas e as notícias do Brasil e do mundo estão na RECORD NEWS. Acesse o site aqui e confira os principais conteúdos em texto e vídeo!














