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Orelha, Abacate, Negão: maus-tratos a cães marcam a semana e geram revolta nas redes

Confira o estado das investigações dos casos, que levantaram discussões sobre a realidade da proteção aos animais no país

Cidades|Do R7, com Estadão Conteúdo

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LEIA AQUI O RESUMO DA NOTÍCIA

  • Casos de maus-tratos a cachorros, como Orelha, Abacate e Negão, geram revolta e discussão sobre direitos dos animais no Brasil.
  • Orelha, agredido por adolescentes em Florianópolis, teve que ser eutanasiado; investigações estão em andamento.
  • Abacate, um cachorro comunitário, foi baleado no Paraná e não sobreviveu; moradores se mobilizam por justiça.
  • Negão foi baleado acidentalmente por um policial em Campo Bom, mas sobreviveu e está em tratamento, aguardando adoção.

Produzido pela Ri7a - a Inteligência Artificial do R7

Casos envolvendo agressões a cachorros marcaram a semana no Brasil. A repercussão na mídia e nas redes sociais, especialmente do caso Orelha, provocou revolta, serviu como alerta às autoridades e tem impulsionado a discussão sobre direitos dos animais.

Além do cão brutalmente espancado por um grupo de adolescentes, ainda vieram à tona os ataques contra os também comunitários Abacate e Negão. Os dois foram baleados no Paraná e no Rio Grande do Sul, respectivamente. Apenas o último sobreviveu.


As três agressões viraram casos de polícia, e investigações foram abertas para apurar as ocorrências e identificar os responsáveis. Elas são acompanhadas pela demanda de moradores, ativistas e artistas, que pedem por justiça.

A seguir, confira em que pé está a apuração de cada caso.


Orelha

Orelha precisou passar por eutanásia após ataque violento Divulgação/ND Mais - 27.01.2026

De acordo com as investigações, o cão Orelha teria sido agredido por um grupo de adolescentes em Praia Brava, região nobre de Florianópolis. O caso é investigado pela Polícia Civil e acompanhado pelo MP-SC (Ministério Público de Santa Catarina), por meio da 10ª Promotoria de Justiça da Capital, da área da Infância e Juventude, e da 32ª Promotoria de Justiça da Capital, da área do Meio Ambiente.

Segundo o MP, Orelha sofreu agressões na região da cabeça, e precisou sofrer eutanásia durante atendimento veterinário que buscava reverter clinicamente o caso, devido à gravidade das lesões. O laudo veterinário foi divulgado, com indignação, pela ativista da causa animal Luisa Mell.


A Polícia Civil de Santa Catarina identificou ao menos quatro adolescentes suspeitos de tê-lo agredido de forma violenta com intuito de causar sua morte. Na segunda-feira (26), foram cumpridos mandados de busca e apreensão nas casas dos suspeitos, mas ninguém foi detido. Celulares e notebooks foram apreendidos.

Foi informado, na terça-feira (27), que três homens foram indiciados por coação de testemunha no caso. Os três são familiares dos adolescentes. Foram abertos dois inquéritos sobre o caso: um sobre a morte do animal e outro pelo crime de coação. Os nomes dos indiciados não foram revelados pelos delegados e a corporação.


A defesa de dois adolescentes diz que “não há vídeo ou imagens que comprovem o momento do suposto ato de maus-tratos”. E ressaltam que há a necessidade de que se cumpram os ritos formais do processo pelas autoridades competentes e se analisem as evidências concretas para que, então, sejam declarados e punidos os culpados.

Os advogados Alexandre Kale e Rodrigo Duarte, dizem que a as famílias enfrentam um verdadeiro linchamento virtual pela escalada do episódio. “Pedimos a cautela e a responsabilidade no compartilhamento de imagens e textos que não são condizentes com a realidade dos fatos. Por último, reiteramos a colaboração com as autoridades para que se esse triste episódio seja rapidamente esclarecido.”

Dois dos suspeitos retornaram de uma excursão pré-programada aos parques da Disney, nos Estados Unidos, nesta quinta-feira (29). A polícia havia anunciado um esquema especial para recebê-los no aeroporto, diante do risco que a comoção do caso oferecia para a integridade deles e de outros 113 jovens que os acompanhavam.

Abacate

Abacate era cuidado com carinho por moradores da região Reprodução/Instagram @leandro.volanick

Procurada, a Polícia Civil do Paraná disse que está trabalhando para tentar descobrir quem são os responsáveis pelo ataque a tiros, que matou o cachorro comunitário Abacate na terça-feira (27). Eles serão autuados por maus-tratos com a intenção de matar.

Abacate era cuidado por moradores do bairro Tocantins, que o descreveram como “um amor de animal”.

O cientista de dados Leandro Volanick disse nas redes sociais que ajudava a cuidar de Abacate, oferecendo comida e brincadeiras. “Nos fins de tarde, ele saía para acompanhar minhas caminhadas. Era um amor de cachorro, dócil e brincalhão”, escreveu. “Foi uma maldade sem tamanho o que fizeram.”

Segundo Volanick, os moradores da região organizam uma manifestação para às 10h do próximo sábado (31) no Parque do Povo de Toledo, para pedir justiça. “Era um amor de animal, só nos trouxe alegrias.”

A coordenadora de Proteção e Defesa Animal do município, Cinthia Moura, afirmou em publicação no Instagram que pessoas da comunidade encontraram Abacate ferido na manhã de terça-feira e o levaram a um hospital veterinário particular, onde ele passou por uma cirurgia de emergência. A bala perfurou o intestino do cachorro, que não resistiu aos ferimentos e morreu.

O delegado Alexandre Macorin, da Polícia Civil do Paraná, afirmou que os policiais trabalham para localizar informações que ajudem a identificar o autor do crime. Segundo ele, uma pessoa que pode contribuir com a investigação foi ouvida nesta quarta-feira (28).

As primeiras informações que tivemos indicam que houve intenção de matar”, disse. Ele afirmou que o autor será autuado por maus-tratos a animais com agravante de resultado morte — crime que tem pena de até cinco anos de reclusão. “É um caso grave, que não ficará impune.”

Negão

Negão deve se recuperar dos ferimentos e ficar disponível para adoção Reprodução/via Correio do Povo

Um cão sem raça definida, popularmente conhecido como “Negão”, foi baleado por um policial militar na noite de terça-feira em Campo Bom, Rio Grande do Sul, a cerca de 55 km de Porto Alegre. O episódio foi captado por câmeras de segurança.

Em nota, a Secretaria da Segurança Pública do Rio Grande do Sul afirmou que determinou que a Corregedoria da Brigada Militar investigue a conduta dos policiais e as circunstâncias do disparo contra o cão.

De acordo com relatos colhidos pela vereadora Kayanne Braga (PDT-RS), que atua na causa do bem-estar animal, a confusão teve início por volta das 20h30, quando a Brigada Militar realizava uma abordagem em três indivíduos, em via pública. Um dos policiais teria pisado acidentalmente na pata do animal e, após o cão latir, o agente policial efetuou o disparo.

Conforme a vereadora, o cão é um dos sobreviventes da histórica enchente de 2024 que assolou o Rio Grande do Sul, passando a viver sob os cuidados coletivos da comunidade desde então. Após ser baleado, Negão foi levado para uma clínica veterinária e recebeu os primeiros socorros. O tiro, de munição não letal, atingiu as patas traseiras do cão, que deverá ficar internado, sob cuidados, por mais alguns dias. Finalizado o tratamento, ele ficará disponível para adoção.

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