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Padaria no Rio Grande do Sul aposta em bolo afrodescendente para não ofender negros

Dono do estabelecimento trocou o nome do bolo "nega maluca" e também do "negrinho"

Cidades|Caroline Apple, do R7

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Bolo "afrodescendente" da padaria Pão da Praia, no RS
Bolo "afrodescendente" da padaria Pão da Praia, no RS

A padaria Pão da Praia, na praia do Cassino, no Rio Grande do Sul, decidiu oferecer dois doces tradicionais com nomes diferentes. O bolo "nega maluca" virou "afrodescendente" e o "negrinho" passou a se chamar brigadeiro, como em outras partes do País.

O R7 conversou com o dono do estabelecimento, Gilberto Ponce Dias, para entender as intenções do empresário em "amenizar" os nomes dos doces. Confira a entrevista.


R7 - Por que decidiu trocar o nome dos doces?

Gilberto - Em 2010, decidi abrir uma padaria na praia do Cassino com padrão de cidade grande. Quando fomos catalogar os produtos demos de cara com o "negrinho" [forma como o brigadeiro é chamado na região Sul do País) e com o bolo nega maluca. Então decidimos rebatizar os doces de "brigadeiro" e "afrodescendente", para não perder a ligação com o nome e as características dos doces.


R7 - Por que não decidiu trocar totalmente o nome do doce?

Gilberto - Porque ficaria diferente, senão ia ter que ficar explicando o produto. Nossos clientes já conhecem. Foi mesmo para se desligar da expressão nega maluca.


R7 - E deu certo? As pessoas realmente sabem que o afrodescendente é o nega maluca?

Gilberto - Sim. Quem bate o olho sabe e logo pergunta: "É o nega maluca?"


R7 - O que você acha de palavras e expressões que inferiorizam os negros, mas que estão presentes no nosso dia a dia, como denegrir, e expressões como "vai lá com as suas negas"?

Gilberto - Estamos num momento de rearranjo social. Tem nomes impossíveis de serem usados, mas outros que podemos adaptar. No caso do afrodescendente valorizamos a origem das pessoas pretas e não a cor. Assim elas podem se identificar sem se ofender. Assim não judia tanto.

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