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PF avança na 3ª fase de operação que investiga ex-nora de Lula por fraude em licitações

Carla Trindade é investigada por receber propinas em esquema envolvendo materiais didáticos em prefeituras do interior paulista

Cidades|Do Estadão Conteúdo

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LEIA AQUI O RESUMO DA NOTÍCIA

  • A Polícia Federal deflagrou a terceira fase da Operação Coffee Break, investigando fraudes em licitações públicas relacionadas a materiais didáticos em prefeituras de São Paulo.
  • Carla Ariane Trindade, ex-nora do presidente Lula, é suspeita de receber propinas e nega as acusações.
  • Na operação, foram cumpridos mandados de busca e apreensão, além de medidas patrimoniais, evidenciando um esquema de corrupção desde 2021.
  • A investigação revela que contratos da empresa Life Tecnologia Educacional, que recebeu R$ 70 milhões, foram superfaturados e direcionados, com possíveis desvios de recursos do Ministério da Educação.

Produzido pela Ri7a - a Inteligência Artificial do R7

PF cumpriu 3 mandados de busca e apreensão na terceira fase da Operação Coffee Break Divulgação/PF - 15.01.2026

A PF (Polícia Federal) deflagrou, na manhã desta quinta-feira (15), a terceira fase da Operação Coffee Break, com o objetivo de aprofundar as investigações sobre supostas fraudes em processos de licitação pública envolvendo materiais didáticos em prefeituras do interior paulista.

Em novembro, Carla Ariane Trindade, ex-mulher de Marcos Cláudio Lula da Silva, enteado do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, foi alvo da Polícia Federal por suspeita de receber propinas do empresário André Gonçalves Mariano, apontado como pivô do esquema.


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Carla Ariane Trindade nega as acusações. Em novembro, sua defesa informou que havia solicitado acesso aos autos e que só se manifestaria após conhecer integralmente o conteúdo da investigação.

Nesta etapa, foram cumpridos três mandados de busca e apreensão no estado de São Paulo, além da execução de medidas de constrição patrimonial.


A Polícia Federal acredita que o esquema de corrupção e desvio de recursos públicos da Educação, investigado na Operação Coffee Break, estaria em funcionamento desde, pelo menos, 2021, com ramificações por diferentes prefeituras de São Paulo. O relatório parcial do inquérito crava que agentes públicos, lobistas, doleiros e um empresário formaram uma “organização criminosa estruturada”.

Na fase anterior da Operação Coffee Break, deflagrada em 13 de novembro, a Polícia Federal prendeu seis pessoas sob suspeita de fraudes em licitações nos municípios de Sumaré e Hortolândia, no interior de São Paulo. Entre os alvos estava o vice-prefeito de Hortolândia, Cafu César (PSB), que foi preso na ocasião.


As investigações se concentram na empresa Life Tecnologia Educacional, que recebeu cerca de R$ 70 milhões para o fornecimento de kits e livros escolares a três prefeituras paulistas. Segundo a Polícia Federal, os contratos teriam sido direcionados e superfaturados, com parte dos valores desviada para empresas de fachada.

De acordo com os investigadores, o dono da Life, André Mariano, contratou Carla Ariane Trindade para obter vantagens junto ao governo federal. Em uma agenda apreendida pela PF, o nome de Carla aparecia acompanhado do apelido “Nora”, em referência ao seu antigo vínculo familiar com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva.


A Polícia Federal sustenta que recursos do Ministério da Educação destinados à compra de materiais didáticos foram desviados por meio do direcionamento e do superfaturamento de contratos. Os crimes apurados incluem corrupção ativa e passiva, peculato, fraude em licitação, lavagem de dinheiro, contratação direta ilegal e organização criminosa.

Os investigadores afirmam haver indícios de que a ex-nora do presidente Lula atuou em Brasília para viabilizar a liberação de recursos do FNDE (Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação) em favor da empresa investigada. A PF também aponta que Kalil Bittar, ex-sócio de um dos filhos de Lula, teria desempenhado papel semelhante.

Carla Ariane foi casada com Marcos Cláudio Lula da Silva, filho da ex-primeira-dama Marisa Letícia. Kalil é irmão de Fernando Bittar, um dos proprietários do sítio de Atibaia investigado na Lava Jato, e foi sócio de Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, na empresa Gamecorp.

A investigação identificou que Carla viajou a Brasília acompanhada de André Mariano. Em uma dessas datas, Mariano tinha reunião agendada no FNDE, órgão responsável pela liberação dos recursos destinados aos contratos da Life.

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