Pobres levam mais tempo para chegar ao trabalho, diz estudo
Faixa extremamente pobre trabalha perto de casa por não ter como pagar condução
Cidades|Do R7

Uma análise do Ipea (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada) apontou que entre as pessoas com renda per capita de meio a um salário mínimo (R$ 678), 17% passam mais de uma hora no deslocamento casa/trabalho.
O Ipea utilizou dados de uma pesquisa da PNAD (Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios) sobre os deslocamentos casa/trabalho, assim como sobre a posse de veículos automotores e o acesso à política de auxílio-transporte. Os dados da PNAD já foram divulgados em setembro.
O tempo de deslocamento para o trabalho dos que ganham até um salário mínimo é de seis pontos percentuais superior ao registrado nas famílias mais ricas (que recebem acima de cinco salários mínimos). Os extremamente pobres (renda de até um quarto do salário mínimo), por outro lado, passam, em média, tempo menor presos em engarrafamentos (58% gastam menos de 30 minutos). Essa situação, porém, reflete a falta de condições de mobilidade desse estrato da população, que se vê obrigado a trabalhar em locais próximos de casa por não poder pagar os custos do transporte público.
A análise do Ipea afirma que “o padrão de mobilidade urbana no Brasil vem se alterando nos últimos anos com o aumento acelerado da taxa de motorização da população, o que significa mais acidentes de trânsito, maior poluição veicular e perda de tempo em função dos congestionamentos nos centros urbanos”.
Entre 2008 e 2012, a proporção de domicílios com algum tipo de veículo privado saltou oito pontos percentuais. Atualmente 54% dos lares brasileiros têm na garagem um carro e/ou moto. Como resultado do maior número de veículos nas ruas, o tempo médio gasto para chegar ao trabalho pelos habitantes das regiões metropolitanas atingiu 40,8 minutos – a média, no Brasil, é de 30,2 minutos.
As capitais do Norte e Nordeste tiveram as pioras mais significativas nas condições de tráfego. Belém, Salvador e Recife apresentaram, entre 1992 e 2012, taxas de crescimento do tempo de viagem de 35%, 27,1% e 17,8%, respectivamente.
Auxílio-transporte
Outra constatação do estudo do Ipea foi a ineficácia das políticas de auxílio-transporte para as camadas pobres. De acordo com a PNAD, apenas 11% das pessoas extremante pobres recebem vale-transporte. "As classes baixas têm os maiores percentuais de informalidade no trabalho, de forma que a política do vale-transporte não atinge justamente quem mais precisa", segundo o estudo.
A pesquisa conclui ser inevitável a tendência de aumento na taxa de motorização da população, especialmente com a contínua melhora na renda dos trabalhadores, o que gerará impactos sobre as condições de mobilidade e exigirá investimentos por parte dos governos em melhoria da infraestrutura de mobilidade nas próximas décadas.












