Polícia de Campo Grande põe investigadores à paisana em ônibus contra encoxadores
Ação acontece sempre que há alguma denúncia específica sobre determinadas linhas
Cidades|Fernando Mellis, do R7

A Polícia Civil do Mato Grosso do Sul adotou uma nova estratégia para flagrar homens que cometem abusos sexuais dentro de ônibus na cidade de Campo Grande.
Investigadores da Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher passaram a utilizar o transporte público à paisana, principalmente nos horários de pico, como forma de fiscalizar a movimentação nos ônibus .
Segundo a delegada-adjunta Marília de Brito Martins, as ações são feitas a partir das denúncias que a população faz chegar à polícia.
— É um trabalho que começa a partir do momento em que temos uma informação ou uma denúncia que possa ter um indicativo da prática desses abusos dentro do transporte coletivo. Nos horários de rush, nossa equipe de investigação acompanha esses locais à paisana, na tentativa de flagrar algum indivíduo que esteja se prevalecendo do tumulto para praticar atos libidinosos.
Foi dessa forma que, em julho do ano passado, um homem de 28 anos foi preso. O sujeito ficou conhecido como o “Tarado da 087” — em referência à linha de ônibus em que eram praticados os abusos. Alguns meses antes, uma mulher procurou a polícia e disse que o homem havia se masturbado atrás dela com o coletivo cheio.
Os investigadores começaram a monitorar a linha e, quando o homem praticou outro abuso, foi preso em flagrante. Como ele ejaculava nas vítimas, confrontou-se o DNA dele com o coletado nas roupas das mulheres. O resultado foi positivo, segundo a delegada.
Com o sucesso da iniciativa, a delegada disse que a prática se tornou rotineira. Conforme as informações são repassadas, os policiais são enviados para as linhas e passam procurar pelos suspeitos. Marília diz que a polícia não usa nenhum tipo de artifício para atrair os abusadores.
— Nossas investigadoras são bonitas. Se o homem, para o azar dele, bolinar uma delas, vai cair muito mais rápido. Mas nada é feito com intuito provocativo. Elas também estão trabalhando com o intuito de localizar e ver essa prática. Se, por um acaso, uma delas for vítima, aí vamos com mais garantia ainda efetuar a prisão.
Mais do que o trabalho investigativo, a polícia precisa contar com a ajuda dos usuários do transporte público, diz a delegada.
— Nosso trabalho é também no sentido de pedir às vítimas que compareçam à delegacia e saiam da passividade. Há casos em que as pessoas veem e não comunicam à polícia o que está acontecendo. A partir do momento que não se tem denúncia e investigação, os autores desses crimes ficam mais livres para praticar esse tipo de ação.
Além dos investigadores, muitos ônibus em Campo Grande já são equipados com câmeras, o que auxilia a polícia na hora de apurar alguma denúncia. A delegada espera que, ao saber que pode haver um agente no mesmo coletivo, os abusadores não ajam mais.














