Polícia prende suspeitos por assassinato de radialista em Goiás

Jefferson Pureza apresentava o programa A Voz do Povo, em Idealina, no sul do Estado, e fazia críticas a políticos da cidade

Pureza apresentava o programa A Voz do Povo

Pureza apresentava o programa A Voz do Povo

Reprodução Facebook

Três suspeitos pelo assassinato do radialista Jefferson Pureza, em Edealina, no sul de Goiás, foram presos pela Polícia Civil. Um adolescente também foi apreendido. Entre os presos está o vereador José Eduardo Alves da Silva (PR), suspeito de ser o mandante do assassinato, e o caseiro Marcelo Rodrigues dos Santos, investigado por ser o intermediário.

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Rodrigues dos Santos teria contratado, por cinco mil reais, Leandro Cintra da Silva, de 23 anos, e um adolescente de 17 anos, que seriam os executores. As prisões ocorreram na última sexta-feira (9) e fazem parte da Operação Nuntius.

O delegado Queops Barreto, responsável pelo caso, disse que o assassinato teve “um misto de motivação política e passional". O radialista fazia críticas à gestão municipal e aos vereadores da situação em seu programa. Pureza também teria tido um caso com a ex-mulher do vereador.

O assassinato

Jefferson Pureza foi morto com três tiros na noite de 17 de janeiro deste ano, na casa onde morava, em Edealina, a 154 quilômetros de Goiânia. Ele trabalhava na rádio Beira Rio FM, apresentando o programa A Voz do Povo.

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A emissora foi alvo de ataques mais de uma vez. Na mais recente, em novembro do ano passado, foi completamente incendiada. A emissora tinha planos de voltar a funcionar, até o assassinato do radialista.

Em janeiro de 2017, o radialista disse, ao vivo em seu programa, que José Eduardo teria encomendado a sua morte. Além do vereador, Jefferson  Pureza mencionou o ex-prefeito João Batista “Boiadeiro” (PTB).

O R7 não localizou a defesa dos suspeitos pela morte de Jefferson Pureza.

A Abraji (Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo) acompanha o caso no âmbito do Programa Tim Lopes. No final de janeiro, uma equipe da associação visitou a região para obter mais informações sobre o crime. O Programa Tim Lopes é financiado pela Open Society Foundations, e tem por objetivo fomentar a apuração completa de casos de homicídio, sequestro ou tentativa de homicídio contra comunicadores.