Polícia turca dispersa manifestantes nos arredores da praça Taksim, em Istambul
Batalhão de Choque utilizou bombas de gás lacrimogêneo e jatos d'água
Cidades|Do R7
Equipados com escudos e máscaras de gás, os policiais do Batalhão de Choque turca lançaram bombas de gás lacrimogêneo e utilizaram jatos d'água para dispersar milhares de pessoas que queriam chegar neste sábado (6) à praça Taksim de Istambul, bastião da revolta contra o governo turco.
Convocados pelo grupo Solidariedade Taksim, que originou a contestação ao governo, os manifestantes enfrentaram o grande dispositivo de segurança mobilizado pela polícia anti-distúrbios, que bloqueava sua passagem em direção à praça, e se dispersaram na grande avenida de pedestres Istiklal e nas ruas adjacentes.
Os agentes recuaram pouco antes da meia-noite (18h de Brasília) e permitiram o acesso de turistas e moradores à praça.
Várias pessoas foram presas, de acordo com a imprensa turca. Entre os detidos, há dois homens acusados de atacar manifestantes com arma branca, anunciou o governador de Istambul, Huseyin Avni Mutlu, em sua conta no Twitter.
No início de junho, um Tribunal de Istambul invalidou o controverso projeto de urbanização da área da Taksim, alegando que a população não havia sido consultada e que viola sua "identidade". Essa decisão, que foi divulgada apenas esta semana, foi comemorada como uma vitória pelos opositores do projeto.
"Voltamos para o nosso parque para entregar com nossas próprias mãos, àqueles que proibiram seu acesso à população, a decisão da Justiça que anula o projeto destinado a retirar a identidade do parque Gezi, a privá-lo de seus usuários e concretá-lo", anunciou o grupo em um comunicado.
Várias horas antes desses novos incidentes, o governador Avni Mutlu lembrou aos manifestantes que as reuniões na praça Taksim estão proibidas.
"Planejamos reabrir o parque Gezi amanhã (domingo) ou, no mais tardar, na segunda-feira, para que esteja à disposição de todos os cidadãos", declarou à imprensa.
No dia 31 de maio, a polícia turca agiu violentamente para retirar centenas de militantes ambientalistas que se reuniram no parque Gezi para mostrar sua rejeição à retirada das 600 árvores do local, como parte de um projeto urbanístico.
Esse projeto, defendido pelo primeiro-ministro e ex-prefeito de Istambul, Recep Tayyip Erdogan, previa a reconstrução de uma antiga caserna otomana no lugar do parque e a escavação de túneis, para entregar o local para os pedestres.
A violência dessa intervenção provocou a ira de muitos turcos e transformou o movimento de defesa do parque Gezi em uma ampla contestação política contra o governo, no poder desde 2002.
Segundo estimativas da polícia, cerca de 2,5 milhões de pessoas foram às ruas em pelo menos 80 cidades, durante três semanas, para exigir a renúncia do premier, acusado de comportamento autoritário e de querer "islamizar" a sociedade turca.
O parque Gezi foi ocupado por mais de duas semanas por milhares de manifestantes, até serem desalojados pela força policial em 15 de junho. Os protestos deixaram quatro mortos - três manifestantes e um policial - e quase 8.000 feridos, segundo o último balanço da Associação dos Médicos.















