Produção de mel de abelha ajuda a prevenir desnutrição de comunidades ribeirinhas do Amazonas
Com R$ 40, produtor pode investir na tecnologia social que aumenta até 15% da renda
Cidades|Vanessa Sulina, enviada do R7 a Manaus*

Basta gastar R$ 40 em uma caixa de madeira de cinco módulos, chamada de melgueira, para um pequeno apicultor produzir mel e vender a R$ 80 o litro. E mais, com R$ 250 é possível comprar esta mesma caixa já com colmeia. Foi assim que Ivanildo Lima dos Santos, 42 anos, conseguiu aumentar em 20% a renda anual de sua família. Há três anos, ele cria em sua chácara, no município de Iranduba, a 22 km de Manaus (AM), abelhas melíponas, que não têm ferrão e são próprias da Amazônia.
— Como as abelhas não têm o ferrão fica mais fácil da gente produzir em casa e a família toda pode ajudar a cuidar. Além disso, a diferença deste mel para o de abelha africana [mais tradicional no Brasil] é que sua qualidade é muito superior. O mel de melípona é mais azedinho, menos viçoso e tem muito mais nutriente.
De acordo com técnico do INPA (Instituto Brasileiro de Proteção da Amazônia) Hélio Vilas Boas, que ajudou no desenvolvimento do projeto, além do fornecimento do mel, a abelha também poliniza as plantas, o que ajuda na formação de frutos.
— Esses alimentos podem também ser consumidos e os excedentes vendidos pela comunidade. Isso ajuda até a combater a desnutrição que é grande nas comunidades ribeirinhas aqui do Amazonas.
Obstáculos
Apesar do baixo custo e do fácil acesso para cultivar estas abelhas, o presidente da Associação dos Apicultores e Meliponicultores do Amazonas, Sergio Souza, disse que “falta este mel” no mercado.
— A procura é alta, mas não temos produção suficiente.
Para o técnico agrícola, isso acontece porque falta legislação para regulamentação da produção. Mesmo com a falta de regulação, a meliponicultura pode ser realizada em qualquer Estado do País — apesar das abelhas serem originárias do Amazonas. Segundo Vilas Boas, basta “importar” a tecnologia social e adaptar a comunidade independentemente do Estado.
Produção de peixes
A reportagem do R7 visitou também a produção de peixes em uma área de Igarapé, braço longo do rio, que existe em diversas propriedades particulares do Estado. De acordo com o secretário estadual da pesca do governo do Estado do AM, Giraldo Bernardino, essa tecnologia social ajuda preservar as águas da poluição, além de garantir o sustento e a renda do pequeno produtor.
— Nesse sistema, é possível criar de 15 a 20 tambaquis e matrixam [espécies de pescados] por metro quadrado. Em um tanque fechado seria possível colocar no máximo três peixes no mesmo espaço. Essa diferença se explica porque Igarapé tem a água mais oxigenada.
Segundo ele, hoje o Estado do Amazonas produz 180 mil toneladas de pescado por ano. O consumo do brasileiro é de 9 kg no ano, já do amazonense é de 45 kg por pessoa por ano. No interior, esse consumo chega a 180 kg por pessoa.
— Esse projeto então é uma das formas de impedir a vinda dessas pessoas para cidade, além disso, pensamos muito na pesca predatória e esquecemos que os rios estão morrendo com a poluição. Para preservar a biodiversidade é preciso cuidar da água e a melhor maneira para se fazer isso é com criação de peixes.
*A jornalista viajou a convite da Fundação Banco do Brasil










