Promotor é afastado do cargo em Minas por indícios de corrupção
Profissional é suspeito de receber propinas de empresas
Cidades|Paulo Henrique Lobato, do R7, com RecordTV Minas

Pela primeira vez, um promotor do MPMG (Ministério Público de Minas Gerais) é afastado da função por indícios de corrupção. Fábio Guedes de Paula é suspeito de receber propinas para favorecer empresas do ramo imobiliário de Uberlândia, no Triângulo Mineiro, em processos no setores do meio ambiente e urbano. A decisão dos 20 procuradores da corregedoria da instituição foi unânime. O julgamento ocorreu, nesta quarta-feira (13), em Belo Horizonte.
O promotor ainda será jugado pelo Tribunal de Justiça de Minas Gerais pelos crimes de corrupção passiva, lavagem de dinheiro e evasão de divisas. Paula foi denunciado 24 vezes por crimes de corrupção e lavagem de dinheiro.
A dor de cabeça do promotor começou em dezembro de 2015, quando ele foi flagrado no aeroporto internacional de Guarulhos (SP) com grande quantidade de dinheiro não declarado aos órgãos competentes. O caso foi denunciado com exclusividade pela RecordTV em agosto de 2016.
À época, uma força-tarefa do Ministério Público entrou em ação e apreendeu em endereços de Paula computadores e documentos que mostram, segundo a denúncia da procuradoria, provas de que empresas pagavam propinas ao promotor.
Paula contava com uma cúmplice, segundo a acusação. Trata-se da advogada e arquiteta Vera Lúcia Mendes, que representava algumas empresas. Ela recebia os honorários e os repassava ao promotor, conforme a denúncia.
O procurador responsável pela denúncia, Darcy de Souza Filho, lamentou a postura do promotor:
- Nunca houve um caso como este no Ministério Público de Minas. Até mesmo porque o Ministério Público é uma instituição voltada a combater a corrupção. Este caso causou perplexidade.
O corregedor também reclamou da postura do promotor:
- Em 30 anos de Ministério Público, não me recordo de uma artimanha perpetrada com tamanha requinte e tamanho proveito patrimonial tal como a que se submete a julgamento.
Paula não compareceu ao julgamento na corregedoria. Ele foi representado pelo advogado, Luís Carlos Abritta:
- A questão que foi levantada e desprezada totalmente foi a não-realização de perícia (nas provas). Desta forma, a defesa, se for o caso, buscará anulação do julgamento diante de utilização de provas não submetidas ao contraditório.
Já o advobagdo de Vera Lúcia refutou as acusações e disse que sua cliente irá se defender nos autos do processo.













