Logo R7.com
RecordPlus
Notícias R7 – Brasil, mundo, saúde, política, empregos e mais
‌

Quatro mulheres são assassinadas por dia no Brasil, aponta pesquisa

Retrocessos causados pela pandemia, desmonte de políticas e acesso às armas são causas do crescimento de feminicídios

Cidades|Letícia Dauer, do R7

  • Google News

Adicione como fonte preferencial no Google

Opens in new window
Número de feminicídios cresceu 10,8% nos primeiros semestres dos últimos quatro anos
Número de feminicídios cresceu 10,8% nos primeiros semestres dos últimos quatro anos

A cada seis horas uma mulher é vítima de feminicídio no Brasil. De acordo com um estudo realizado pelo FBSP (Fórum Brasileiro de Segurança Pública), no primeiro semestre de 2022, 699 mulheres foram assassinadas. Esse número é 3,2% maior do que o total de mortes registrado no mesmo período de 2021, quando 677 vidas foram ceifadas.

Na pesquisa, os estados com maior incremento desse tipo de crime foram o Acre (250%), o Amapá (200%), Rondônia (116,7%), Sergipe (100%) e Santa Catarina (52,6%). Numa análise de forma regional, no último ano o Sul apresentou a maior porcentagem (12,6%), com 116 mortes.

‌

Leia também

Segundo a advogada Isabela Guimarães Del Monde, coordenadora do movimento Me Too Brasil, apesar da flexibilização das medidas de isolamento social, a pandemia ainda tem impacto no aumento do número de casos de feminicídio no país. “As mulheres perderam muita renda, a permanência e o ingresso no mercado de trabalho, tornando-se mais dependentes financeiramente dos agressores.” 

Além da queda de emprego, a pandemia também trouxe como consequência o consumo acentuado de álcool no ambiente familiar, no qual as mulheres ficam mais expostas à violência doméstica. Esse cenário dificulta a realização de denúncia, seja presencialmente em uma delegacia, seja de forma online.

‌

A flexibilização do acesso a armas e munições pela população civil a partir do Pacote Anticrime, em 2019, também está diretamente ligada à onda de violência contra as mulheres. De acordo com o último Anuário Brasileiro de Segurança Pública, o país vive uma corrida armamentista. Entre 2017 e 2021, registrou-se aumento de mais de 130% no registro de armas de fogo ativas pelo Sistema Nacional de Armas. São 1.490.323 em circulação.

O acesso desenfreado ao armamento deixa as mulheres em situação de maior vulnerabilidade. Uma situação de violência psicológica ou doméstica pode facilmente se transformar em feminicídio.

‌

Apesar do crescimento ininterrupto no número de assassinatos, os recursos investidos pelo governo federal para o enfrentamento da violência têm se reduzido. Uma nota técnica produzida pelo Inesc (Instituto de Estudos Socioeconômicos) mostra que, em 2021, apenas 4,5% dos recursos destinados à Casa da Mulher Brasileira — que oferece atendimento humanizado às vítimas de violência doméstica — foram executados. Dos R$ 21,8 milhões autorizados, foi gasto apenas R$ 1 milhão.

Para Del Monde, a razão principal do aumento de feminicídios no Brasil é o desmonte das políticas públicas federais, principalmente nas áreas de educação, saúde e informação. “O feminicídio é uma morte evitável. A violência não começa no ato mais grave, que é a tentativa ou a consumação do crime. Começa com a violência psicológica e moral.”

‌

Ao R7, Fabiana Dal’Mas, promotora de Justiça de Enfrentamento a Violência contra as Mulheres do Gevid Central, ressaltou que o corte orçamentário afeta o funcionamento, por exemplo, dos atendimentos médicos e psicológicos, da assistência social, das casas de abrigo, da Casa da Mulher Brasileira, das delegacias de polícia — onde é possível registrar boletins de ocorrência e solicitar medidas protetivas de urgência. 

"A partir do momento que não há um investimento maciço nessas políticas públicas, essas portas [de acolhimento] são fechadas e a consequência disso é o aumento da violência e do desemparo das mulheres", complementa Dal’Mas.

A promotora ainda afirma que “recentemente o Brasil foi considerado a nona economia do mundo. Então, nada justifica o não investimento em políticas públicas para mulher. O Estado deve propiciar a igualdade entre homens e mulher como determina a Constituição Federal, e uma sociedade menos violenta”.

Siga R7 no Google e fique por dentro de tudo que acontece

Seguir no Google

Últimas

‌

Utilizamos cookies e tecnologia para aprimorar sua experiência de navegação de acordo com oAviso de Privacidade.