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Reconstituição do assassinato de corretora em Caldas Novas teve disparo de arma de fogo

Segundo a polícia, tiros foram disparados para que a acústica do local pudesse ser medida; suspeitos do crime, síndico e filho estão presos

Cidades|Do Estadão Conteúdo

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LEIA AQUI O RESUMO DA NOTÍCIA

  • Reconstituição do assassinato da corretora Daiane Alves Souza incluiu disparos de arma de fogo para medir a acústica do local.
  • Cleber Rosa de Oliveira, síndico do condomínio onde moravam, foi preso como principal suspeito e confessou o crime de forma controversa.
  • A disputa pela administração de apartamentos gerou conflitos entre Daiane e Oliveira, culminando em várias ações judiciais antes do assassinato.
  • O corpo de Daiane foi encontrado em estado de decomposição após 40 dias de buscas, e a investigação aponta para o envolvimento de Oliveira na ocultação do cadáver.

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A corretora de imóveis Daiane Alves Souza, de 43 anos, enviou um vídeo para a amiga antes de desaparecer
Corretora de imóveis Daiane Souza, de 43 anos, enviou vídeo para uma amiga antes de desaparecer Reprodução/Record Minas

Uma reconstituição do assassinato da corretora de imóveis Daiane Alves Souza, de 43 anos, realizada na sexta-feira (30), em Caldas Novas (GO), incluiu disparos de arma de fogo. Segundo a Polícia Civil, a simulação foi necessária para estabelecer a dinâmica do crime — o que não significa necessariamente que a corretora foi morta a tiros.

A perícia do corpo, já em estado de decomposição, ainda não foi concluída. Cleber Rosa de Oliveira, de 49 anos, síndico do condomínio onde ele e Daiane moravam, foi preso por ser suspeito do crime. A defesa de Oliveira afirma que ele colabora com a investigação.


Como foi a reconstituição

Oliveira foi levado ao condomínio onde morava sob escolta policial e vestindo colete à prova de balas. Para reconstituir os fatos, os policiais o conduziram ao subsolo do edifício, onde a corretora teria sido assassinada. Os moradores do prédio haviam sido avisados anteriormente de que poderia haver disparos e deveriam manter suas rotinas.

De acordo com a polícia, os tiros foram disparados para aferição da acústica do local. Embora não tenha havido relatos de disparos no dia dos fatos, o tempo de apenas 8 minutos que se seguiu à morte sugere um possível uso de arma de fogo.


Ainda segundo a polícia, Oliveira confessou o crime, mas não esclareceu de forma precisa como teria matado a corretora. Em entrevista, o advogado do suspeito afirmou não saber “se essa confissão se deu de forma livre e espontânea e sem qualquer tipo de intimidação”.

Conflitos no condomínio

Segundo a investigação, a motivação do crime pode ter sido uma disputa pela administração de apartamentos no condomínio onde suspeito e vítima moravam em Caldas Novas. Daiane assumiu o controle de seis apartamentos de parentes, antes sob administração do síndico, o que gerou um conflito entre as partes.


Oliveira chegou a propor em assembleia que Daiane e seus familiares fossem impedidos de frequentar as áreas comuns do condomínio. A corretora recorreu à Justiça e obteve decisão favorável, o que acirrou a desavença entre eles. A sentença foi proferida poucos dias antes de seu desaparecimento.

Daiana Souza desapareceu no dia 17 de dezembro de 2025 e, após mais de 40 dias de buscas, o corpo dela foi encontrado na quarta-feira (28), nas margens da rodovia GO-213, em Caldas Novas. Em estado de decomposição, ele foi encaminhado para a perícia no IML (Instituto Médico Legal).


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Segundo o delegado da Polícia Civil de Caldas Novas, André Luís Barbosa, a corretora abriu 12 procedimentos civis e criminais contra Oliveira. Três deles — sobre crimes de agressão, ameaça e constrangimento ilegal, além de stalking (perseguição reiterada) — resultaram na abertura de inquéritos policiais. “Os inquéritos foram concluídos, relatados e enviados ao Ministério Público, que deu seguimento aos casos”, declarou o delegado.

Daiane também foi autuada pelo síndico por alugar um apartamento para um número maior de pessoas do que o permitido pelas regras do condomínio. Em outubro do ano passado, a Justiça designou uma audiência de conciliação entre as partes, na tentativa de encerrar os processos.

Na sessão, realizada por videoconferência, o conciliador propôs que ambos apresentassem as condições para resolverem os problemas de forma amigável. No entanto, Daiane e Oliveira recusaram o acordo. O processo foi encaminhado para julgamento, que ainda não ocorreu.

Crime no subsolo

Segundo o delegado, as provas indicam que Oliveira usou um artifício para atrair a mulher ao local onde ela seria morta, no subsolo do prédio. “Ele desligou o disjuntor do padrão de energia para atrair a vítima até o local, que fica em um ponto cego. Ali ela foi atacada e morta.”

Ao ficar sem energia, Daiane saiu do apartamento e usou o celular para registrar que apenas o seu imóvel estava sem luz. O registro foi enviado a uma amiga. A corretora, então, desceu pelo elevador até a recepção e fez uma nova gravação, também compartilhada com a amiga. As imagens mostram que ela continuou filmando ao se dirigir ao subsolo, mas o terceiro vídeo não foi enviado porque, segundo a polícia, ela encontrou o síndico, que já a esperava.

Daiane teria sido morta no subsolo. “Tudo leva a crer que o crime aconteceu de maneira rápida e o corpo foi removido logo em seguida para a carroceria de seu veículo”, diz o delegado.

Câmeras de segurança registraram o deslocamento do síndico com o próprio carro para uma área de mata. Ele saiu com a capota fechada e retornou cerca de 40 minutos depois com o compartimento aberto.

Em depoimento, no entanto, o suspeito afirmou ter ido para outra região da cidade, o que, segundo a polícia, configura uma contradição. Imagens de câmeras de segurança registraram, às 19h36, Cléber dirigindo o próprio carro por uma rota divergente daquela que havia mencionado à polícia.

Conforme o delegado, o suspeito limpou tanto o local do crime quanto a carroceria do veículo, para eliminar vestígios. Uma nova perícia, com recursos tecnológicos, será realizada em busca de evidências.

Pai e filho presos

Oliveira foi preso por suspeita de homicídio e ocultação de cadáver, enquanto seu filho, Maykon Douglas de Oliveira, acabou sendo detido por suspeita de destruir provas e tentar atrapalhar as investigações. Na audiência de custódia, os dois foram mantidos na prisão.

O advogado de Maiykon, Luiz Fernando Izidoro Monteiro e Silva, foi procurado pela reportagem e não deu retorno até o fechamento deste texto. Anteriormente, ele havia dito que Maiykon não teve qualquer participação no caso e já requereu que seja colocado em liberdade.

A defesa de Cleber, representada pelo escritório Nestor Távora e Laudelina Inácio Advogados, diz que ele segue respondendo a todas as indagações e contribuindo com a investigação.

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