Cidades Renda renascença encerra São Paulo Fashion Week

Renda renascença encerra São Paulo Fashion Week

A coleção ‘Zuzu Vive’ encerrou a edição de 25 anos da São

Portal Correio

A coleção ‘Zuzu Vive’ encerrou a edição de 25 anos da São Paulo Fashion Week. O desfile virtual uniu ornamentos de renda renascença e bordados a linho. No filme, modelos 3D receberam o rosto da homenageada, a estilista Zuzu Angel. A coleção é de autoria de Ronaldo Fraga.

“O filme de Ronaldo Fraga mostra que artesanato, que moda, vão muito além de geração de emprego e renda. É cultura, é a reafirmação de nossa identidade”, analisou a gestora do Programa do Artesanato da Paraíba (PAP), Marielza Rodriguez.

Mais de 4 mil artesãos trabalham com a renda renascença na região do Cariri da Paraíba, nos municípios de Monteiro, São João do Tigre, São Sebastião de Umbuzeiro, Camalaú e Zabelê. A coleção ‘Zuzu Vive’ é resultado de uma parceria entre o Governo do Estado e o estilista Ronaldo Fraga, que esteve no Cariri paraibano dando consultoria às rendeiras.

A homenageada

Zuzu Angel foi uma estilista mineira, pioneira no uso do artesanato. Na época da Ditadura Militar, além reconhecida por seu trabalho na moda, Zuzu Angel ganhou projeção internacional por denunciar a morte do filho, o estudante de Economia Stuart Angel. A busca por Stuart só acabou com a morte de Zuzu Angel. Ela sofreu um acidente na madrugada de 14 de abril de 1976, no Rio de Janeiro.

Uma semana antes, a estilista havia deixado na casa do cantor e compositor Chico Buarque um documento que deveria ser publicado caso algo lhe acontecesse: “Se eu aparecer morta, por acidente ou outro meio, terá sido obra dos assassinos do meu amado filho”, dizia a carta.

No filme de encerramento da “São Paulo Fashion Week”, Ronaldo Fraga conversa com a estilista e faz uma crítica ao momento atual do Brasil. “Queria ter boas notícias. Estamos no mesmo ano que você viveu”, disse.

Ronaldo Fraga também destacou qualidades de Zuzu. “Como costureira, usou o ofício para sustentar sua família e educar seus três filhos. Como estilista, aliás denominação que refutava – sim, ela preferia ser chamada de costureira! – ela desafiou o mainstream, rompendo com os padrões de moda europeus ao usar signos brasileiros em suas criações”.

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