Cidades Revista conta detalhes de caso de pedofilia praticado por padre católico em Goiás

Revista conta detalhes de caso de pedofilia praticado por padre católico em Goiás

Nesta semana, papa Francisco mandou expulsar bispos que acobertaram crimes

Revista conta detalhes de caso de pedofilia praticado por padre católico em Goiás

Padre Fabiano, à esquerda, foi preso em flagrante delito e, se condenado, pode pegar até 15 anos de prisão

Padre Fabiano, à esquerda, foi preso em flagrante delito e, se condenado, pode pegar até 15 anos de prisão

Divulgação/Arquidiocese de Uberaba/Reprodução/Veja

No mesmo sábado (4) em que o Papa Francisco determinou a destituição de bispos que acobertassem casos de pedofilia na Igreja Católica, um sacerdote da Arquidiocese de Uberaba (MG), o padre Fabiano Santos Gonzaga, de 28 anos, foi acusado de abusar sexualmente de um menor de idade, em Caldas Novas (GO). 

O caso virou tema de uma reportagem de capa da revista Veja desta semana. 

De acordo com a publicação, a agressão sexual aconteceu na sauna de um clube termal onde ambos estavam hospedados. O garoto de 15 anos, portador de deficiência mental, é de Brasília e estava hospedado junto com a mãe, que não estava com ele no momento do abuso.

A revista cita um relato da própria vítima, registrado em inquérito policial que corre em segredo de Justiça, de que o padre Fabiano  entrou na sauna e havia um homem de 60 anos lá dentro.

Gonzaga esperou o homem sair para se aproximar do garoto e puxar conversa. Em seu relato, o menino diz ter sido beijado na boca e tocado em seu órgão sexual e que quando quis deixar o lugar, Fabiano o impediu.

O rapaz ainda diz, segundo a revista, que o padre bloqueou a porta, exibiu seu pênis e que só o deixaria sair dali se praticasse sexo oral. Com medo, o menino obedeceu e, segundo o relato, o religioso ejaculou em sua boca. O garoto diz ter saído da sauna e corrido para lavar a boca no banheiro.

Saindo da sauna, o garoto foi procurar a mãe, que estava no restaurante com duas amigas, e disse a ela que queria ir embora porque “precisava escovar os dentes”.

A mãe notou que a agitação do garoto era fora do comum e pediu a ele que contasse o que havia acontecido. Assim que ele contou, ela foi ao encontro do padre, que estava à beira da piscina, acompanhado por amigos.

Tomada pelo senso de proteção maternal, a mãe, segundo a revista, gritava “por que você fez isso com meu filho?” enquanto o padre continuava calado.

A mãe do garoto, que teve seu nome mantido em sigilo na entrevista que deu à revista, diz que o garoto ficou apático depois do ocorrido, não quer mais ir à escola e não quer mais alar sobre o que aconteceu com ele, nem com o próprio pai.

O menino de 15 anos é alto para sua idade, mas, por causa da deficiência, tem idade mental equivalente à de um garoto de 9 anos.

— Ele mede 1,78 metros, mas é bebezão de tudo. Ele não está preparado para esse tipo de situação e, mesmo que não tivesse problemas, acho que não conseguiria se defender. Ele foi impedido de sair (da sauna), seguraram a porta. Ficou sem ação, apavorado.

A mãe diz que teve que se controlar porque o pânico dela fazia com que o garoto ficasse cada vez mais assustado. Porém, ela não tem dúvida nenhuma de que o episódio aconteceu como seu filho contou.

— Ele não mente. E relatou a mesma coisa toda as vezes que lhe perguntaram.

Para ela, a pior parte da história foi descobrir que o agressor de seu filho é um padre católico.

— Na hora em que eu o ouvi declarando a profissão na delegacia, quase morri. (...) Meu filho fez a primeira comunhão e seria crismado no ano que vem. Adora ir à igreja. Toda vez que eu vou à missa, ele vai. Foi uma decepção. 

A advogada de defesa do padre, Lorena Paixão Nascimento, alega que ele é inocente e só conversou com o garoto por "cerca de 50 segundos".

Por outro lado, a reportagem da revista Veja aponta mentiras no depoimento que o Padre deu à polícia. Em um deles, o padre diz que não poderia ter abusado do adolescente, já que é heterossexual e celibatário. Segundo a reportagem, ele não é nem uma coisa, nem outra. No aparelho celular do padre, que foi apreendido pela polícia, há registro de conversas eróticas com mais de cinquenta homens desde outubro de 2014. Muitas incluem trocas de nudes, inclusive do padre, que, no mesmo período, marcou encontros com 38 homens.

Para a delegada responsável pelo caso, Sabrina Leles de Miranda, orientação sexual não está em julgamento neste caso, mas precisa ser levada em conta.

— Ser homossexual não incrimina ninguém, mas, nesse caso, o padre está acobertando sua verdadeira orientação sexual para se livrar de uma acusação grave.

Em seu segundo depoimento, realizado na terça-feira (7/6), o padre compareceu acompanhado da advogada e, quando questionado a respeito das imagens em seu aparelho celular, preferiu ficar em silêncio.

No mesmo dia, uma testemunha se apresentou voluntariamente e prestou depoimento contra o padre. De acordo com ela, que estava no mesmo clube em que o ato ocorreu, minutos antes da agressão pela qual o padre está sendo acusado, Fabiano passou pela família e ficou olhando de forma “erotizada” para ele e para os filhos, que são crianças. O depoimento foi incluído no inquérito porque confirma a conduta do agressor.

A arquidiocese de Uberaba (MG), responsável pela paróquia da cidade de Frutal onde o agressor mora e trabalha, informou que o padre Fabiano está suspenso de suas funções de sacerdotais por tempo indeterminado.

Vaticano contra a pedofilia

O título da Carta Apostólica com que o papa Francisco fechou o cerco contra pedófilos é “Como Uma Mãe Amorosa”.

Segundo o texto, os bispos que forem negligentes em relação a abusos sexuais envolvendo menores poderão ser removidos dos seus cargos.

As normas ditadas pela carta, segundo a Rádio Vaticano, entram em vigor a partir de setembro.

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