RS tem 32 mil casos de queimaduras por água-viva nesta temporada
Somente no último domingo (30) foram mais de 5 mil incidentes no litoral gaúcho. Número é o dobro da média para a época do ano
Cidades|Caio Sandin e Filipe Siqueira, do R7

Desde 15 de dezembro, quando se inicia a temporada de verão, foram registrados 31.657 casos de queimaduras por água-viva no litoral gaúcho. Os dados são do comandante dos Guardas Vidas do litoral norte do Rio Grande do Sul, Tenente Coronel Jeferson Ecco. Só nesta última quarta-feira (2), quando o serviço fecha, foram comunicados 3.078 casos.
A média é alta, mas inferior aos números da temporada passada. Em 2017, foram 192.111 pessoas queimadas pelos animais durante todo os 79 dias do período de temporada (15 de dezembro a 4 de março), uma média de 2.431 casos por dia.
A iniciativa de registrar os números partiu da curiosidade dos guarda-vidas e dos homens do corpo de Bombeiros pelo que acompanhavam no dia a dia das praias e hoje ajudam a prevenir novos casos através de avisos para banhistas.
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Bombeiros registram cerca de 3,2 mil ataques de águas-vivas
"Não existe estudo científico [sobre o motivo do aumento dos casos de queimaduras], mas como atividade prática, quando o mar diminui sua corrente, a água esquenta e as ondas diminuem, o número de banhistas aumentam, as pessoas avançam mais mar adentro e as colônias de águas-vivas se aproximam da costa", pontua Ecco.
Neste ano, Ecco atribui o número elevado a "dois feriadões extremamente favoráveis ao banho, que tiveram um fluxo de banhistas muito grande".
A bióloga Cariane Trigo, do Ceclimar (Centro de Estudos Costeiros, Limnológicos e Marinhos), atribui o aumento da presença de águas também à atividade de correntes marítimas no litoral sul do Brasil.
"O motivo principal para o aparecimento maior de águas-vivas no verão envolve a Corrente Oceânica do Brasil", afirma. Essa corrente leva para o sul as águas-vivas que se reproduzem no litoral ao norte do Rio Grande do Sul no verão e complementa a atividade da Corrente das Malvinas, que atua principalmente no inverno.
Ecco instrui os banhistas a ficarem atentos à sinalização roxa escrita 'infestação de água viva', colocada às margens do mar, e evitar avançar para muito longe da faixa de areia, tentando-se sempre "permanecer com a água até a cintura ou joelhos". Essas medidas geralmente evitam contato com as águas-vivas.
Caso o banhista tenha sido vítima de um ataque, existem medidas simples para evitar maiores complicações.
"Usar urina e amônia são crendices. Não existe em estudos científicos nada que comprove a eficácia dessas medidas. Evite também colocar água doce, que espalha a toxina dos tentáculos das águas-vivas, além de esfregar areia ou qualquer outra coisa no local do ataque", informa Cariane. "Se o caso for mais grave e a vítima apresentar febre, o ideal é ir até um posto de saúde".
Colocar vinagre no local da queimadura e lavar com água do mar é a medida ideal para resolver o problema. O ácido acético do vinagre ajuda a inibir a ação do veneno da água-viva. A dor da queimadura geralmente termina após 20 a 40 minutos.
É importante lembrar também que apenas o tentáculo da água-viva causa a queimadura. Esses tentáculos ficam na região atingida e podem ser removidos apenas com pinça e nunca com as mãos.














