Saúde dos jovens em alerta: IBGE revela violência em alta, álcool e tabaco nas escolas
Pesquisa mostra que 27,2% dos estudantes do país sofrem bullying com frequência e que mais da metade já experimentou álcool
Cidades|Do R7, em Brasília
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A saúde e o bem-estar de adolescentes brasileiros acenderam um sinal de alerta. Dados da PeNSE (Pesquisa Nacional de Saúde do Escolar) 2024, divulgada pelo IBGE nesta quarta-feira (25), mostram a presença significativa de violência, consumo de álcool e tabaco entre estudantes de 13 a 17 anos em todo o país.
O levantamento, que representa cerca de 12,3 milhões de estudantes, revela que a escola — embora seja um espaço de proteção social — também reflete desafios complexos enfrentados pelos jovens dentro e fora de casa.
A pesquisa aponta que uma parcela significativa dos alunos vivencia situações de violência no ambiente escolar, especialmente por meio do bullying. Segundo a PeNSE 2024, 27,2% dos estudantes relataram ter sofrido bullying duas ou mais vezes nos 30 dias anteriores à pesquisa.
Embora a maioria (59,7%) tenha declarado não ter sofrido bullying, o problema vem crescendo. Em 2019, o percentual de vítimas frequentes era de 23%, o que representa um aumento de 4,2 pontos percentuais em cinco anos.
As meninas aparecem como as principais vítimas: 30,1% relataram sofrer bullying com frequência, contra 24,3% dos meninos. Já o comportamento agressivo é mais comum entre eles — 16,5% dos meninos admitiram praticar bullying, frente a 10,9% das meninas.
Regionalmente, o cenário também varia. A região Sudeste concentra o maior percentual de vítimas frequentes, com 28,1% dos estudantes, enquanto a região Sul apresenta os menores índices, com 25,7%. No caso da prática de bullying, o Sudeste também lidera, com 15,3% dos alunos admitindo ter intimidado colegas, acima da média nacional de 13,7%.
Consumo de álcool
O consumo de álcool segue disseminado entre adolescentes brasileiros. Segundo a pesquisa, 53,6% dos estudantes de 13 a 17 anos já experimentaram bebida alcoólica. O índice cresce com a idade: vai de 46,4% entre jovens de 13 a 15 anos e chega a 66,3% entre os de 16 e 17 anos.
Apesar de representar uma queda em relação a 2019 — quando o indicador geral era de 63,3% —, os dados mostram que o contato com o álcool ainda ocorre de forma precoce. As meninas apresentam maior prevalência (57,5%) do que os meninos (49,7%), diferença que vem aumentando ao longo dos anos.
Regionalmente, a região Sul concentra os maiores índices, especialmente entre as meninas, com 67,3%, mantendo-se como destaque no país.
Tabagismo
Além do álcool, o levantamento aponta a presença do tabagismo entre jovens. A pesquisa mostra que 18,5% dos estudantes já experimentaram cigarro alguma vez na vida, uma queda em relação aos 22,6% registrados em 2019.
Os dados revelam desigualdades importantes: o percentual é maior entre alunos da rede pública (19,8%) do que da rede privada (11,5%). Entre os estados, os maiores índices de experimentação foram registrados no Acre (28,9%) e no Mato Grosso do Sul (27,7%), enquanto Bahia (12,3%), Piauí (12,7%) e Sergipe (12,8%) registraram os menores percentuais.
Outro dado que chama a atenção é a exposição precoce: 9,4% dos adolescentes afirmaram ter fumado pela primeira vez com 13 anos ou menos, índice maior entre estudantes da rede pública (10,1%) do que da privada (5,4%).
A pesquisa também aponta sinais de sofrimento emocional entre os jovens, como sentimentos frequentes de tristeza, solidão e dificuldades relacionadas à saúde mental, indicando um cenário de vulnerabilidade que vai além dos comportamentos de risco.
Escolaridade materna
Os dados também mostram mudanças no perfil educacional das famílias. A escolaridade das mães evidencia uma melhora ao longo dos anos, com redução do percentual de baixa instrução e aumento do ensino superior.
Segundo a pesquisa, 15,2% dos estudantes têm mães sem escolaridade ou com ensino fundamental incompleto, uma queda em relação aos 22,7% registrados em 2019, o que representa uma redução de cerca de 33%. No outro extremo, 23,4% dos adolescentes têm mães com ensino superior completo, percentual que também cresceu em relação aos 17,1% de 2019.
A série histórica indica um avanço consistente. Desde 2015, a proporção de estudantes com mães com ensino superior passou de 13,7% para 23,4%, um aumento de mais de 70%. Ao mesmo tempo, o grupo de mães sem instrução ou com baixa escolaridade caiu de 25% para 15,2%, mostrando uma melhora gradual no nível educacional das famílias.
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