Tecnologia barata usa energia solar para garantir água potável para população do Amazonas
Professora diz que técnica pode tratar 400 litros de água por hora
Cidades|Vanessa Sulina, enviada do R7 a Manaus*

Rodeada da maior bacia de água doce do mundo, parte da população do Amazonas sofre com a falta de água potável. De acordo com a professora da UFMA (Universidade Federal do Amazonas) e coordenadora do INPA (Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia), Denise Gutierez, além do esgoto, ainda há contaminação da água pelos próprios animais.
Para ajudar a combater este problema, pesquisadores do INPA desenvolveram uma técnica de “desinfecção solar de água”. Considerado uma tecnologia de baixo custo, o equipamento funciona por meio de energia solar e foi implantado em comunidades ribeirinhas e aldeias indígenas do Estado. Segundo Denise, o preço do aparelho é, em média, R$ 2.500.
— Com baixo custo, é possível tratar 400 litros de água por hora.
Chamada de tecnologia social por ser considerada uma solução que ajuda no desenvolvimento da população de baixa renda, a desinfecção solar de água é um entre os cerca de 500 projetos que fazem parte do banco de dados da Fundação Banco do Brasil.
O presidente da fundação, Jorge Streit, explica que estas técnicas foram desenvolvidas nas próprias comunidades e foram testadas por técnicos. Por isso, diz, podem ser implantadas em qualquer lugar do Brasil.
— Uma das nossas tecnologias sociais, a cisterna de placas, que pode armazenar até 18 mil litros de água, já foi levada a diversos locais do País, como em cidades nordestinas e Minas Gerais.
Falta de incentivo do governo
Um dos fortes entraves à dissolução destes projetos pelo País é a falta de “vontade política”, de acordo com a professora da UFMA. Para ela, de “nada adianta” os projetos serem fortíssimos, se os governantes não se interessam em utilizá-los.
Além deste obstáculo, Streit ainda afirma que a “descontinuidade de gestões” municipais também prejudica no trabalho de implantação.
— Às vezes somos chamados pelo Ministério Púbico para explicar o porquê de certo projeto ter fracassado em uma determinada cidade. Isso acontece pois quando se resolve implantar algo naquele local, são acertadas as parcerias e contamos com compra de material pela prefeitura etc.
Prêmio para tecnologias
Comunidades ou pessoas que tiverem projetos sociais que, de alguma forma, podem modificar a vida de uma comunidade podem se inscrever no 70º Prêmio Fundação Banco do Brasil. As inscrições terminam na próxima quinta-feira (31) e o vencedor pode ganhar R$ 80 mil. Se aprovada, a tecnologia social ficará disponível no banco de dados da instituição.
Podem se inscrever instituições sem fins lucrativos, de direito público ou privado. Há cinco categorias, entre elas saúde, mulheres e juventude.
*A jornalista viajou a convite da Fundação Banco do Brasil















