Uber também é opção para taxista que não consegue alvará, diz porta-voz da empresa
Aplicativo que opera em quatro cidades brasileiras é alvo de polêmica com o serviço oficial
Cidades|Dinalva Fernandes, do R7

Taxistas de grandes cidades do Brasil declararam “guerra” contra a empresa americana Uber. Há pouco mais de um ano, o aplicativo começou a operar em quatro cidades do País: Belo Horizonte, Brasília, Rio de Janeiro e São Paulo. A principal queixa dos taxistas é o fato de os motoristas que prestam serviço para Uber não pagarem os mesmos impostos. Por isso, eles acreditam que o serviço é uma concorrência desleal com a categoria e pedem a proibição do aplicativo.
Além dos táxis, novas tecnologias estão sendo desenvolvidas para auxiliar o usuário a se locomover nas grandes metrópoles. Uma das novidades é o RideWith, nova plataforma desenvolvida pelo Waze que está sendo testada em Israel.
Leia abaixo trechos da entrevista que Fábio Sabba, porta-voz da Uber no Brasil, concedeu ao Portal R7.
R7: O que a empresa acha dos casos de violência entre taxistas e motoristas do Uber?
Fábio Sabba: Nós somos completamente contra a violência. Como os motoristas do Uber são profissionais, eles não respondem a nenhum ato violento. Dentro da plataforma, há um sistema de feedback do usuário e do motorista. Então, tanto o motorista quanto o usuário podem relatar algum comportamento não civil dentro da plataforma.
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R7: Há algum tipo de orientação para os motoristas em relação à hostilidade dos taxistas?
Sabba: Violência cabe à polícia resolver. A gente criou uma central de segurança e, quando tem alguma situação de emergência, o motorista ou usuário liga para esta central que chama a polícia. Nós também estamos olhando o circuito para mapear onde ocorreram casos de violência na cidade para ajudar a polícia a resolver qualquer problema em relação a isso.
R7: Caso seja o uso do aplicativo seja proibido, como a empresa vai proceder? Há um plano B?
Sabba: Aqui em São Paulo, [o projeto] ainda precisa passar por mais uma rodada de votação e pela sanção do prefeito Fernando Haddad (PT). A gente acredita que precisa ocorrer um debate maior sobre como a tecnologia pode ajudar a cidade com o problema do trânsito. Tem que ter discussão com usuários, políticos etc. Quando falamos de regulamentação, não é só para a Uber, mas também para várias outras empresas que vão aparecer ou que já estão operando e que podem ajudar. O Waze, por exemplo, lançou um protótipo de aplicativo de carona em Tel Aviv.
R7: Como a Uber vê o desenrolar desta polêmica nos próximos meses?
Sabba: Nós procuramos conversar com os vereadores para explicar os benefícios da plataforma e estamos esperando o que vai acontecer. Também fizemos uma campanha no Facebook e mais de 300 mil usuários mandaram e-mail para os vereadores dizendo que eles querem direito de escolha.
R7: Qual é a maior contribuição do aplicativo para a população?
Sabba: A Uber tira carro da rua e dá oportunidade para as pessoas trabalharem. Um taxista, por exemplo, que não consegue alvará, pode trabalhar para a Uber ou para outra plataforma. É uma opção para todo mundo. O que a gente precisa é pensar no usuário e dar direito de escolha.
O fato de ter mais uma opção de transporte libera o usuário para pensar: “ah, eu posso ir de bike e voltar de Uber; ir e Uber e voltar de metrô”. Quando você tira o carro, o usuário pensa em vários meios de se locomover pela cidade e tira muito carro da rua, melhorando o trânsito. Então, com a tecnologia, não só da Uber, a gente acredita que o compartilhamento de carros o veículo vai passar de problema para solução.
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R7: Com quantos profissionais a empresa trabalha atualmente no País?
Sabba: Na verdade, os motoristas são parceiros, então não adianta muito falar [em números] porque varia. O jeito que a gente mede é o tempo de demora para conseguir um carro. Em São Paulo, por exemplo, o tempo é de 15 minutos em média.
Além disso, todos os motoristas são profissionais. Nós checamos com uma empresa parceira os antecedentes criminais, se tem carteira de motorista profissional e seguro do carro para acidentes com passageiros, no valor de R$ 50 mil.
R7: Qual é o perfil do motorista que presta serviço para a Uber?
Sabba: Tem de tudo no grupo: alguns, por exemplo, atuavam como motoristas executivos há bastante tempo, principalmente buscando presidentes de empresas nos aeroportos. Tem também gente que era taxista e outras pessoas com a carteira profissional.
R7: Há planos para levar o serviço para outras cidades do Brasil?
Sabba: Por enquanto não. Ficaremos nestas quatro cidades (São Paulo, Rio de Janeiro, Belo Horizonte e Brasília), que foram escolhidas por serem as maiores do País.
R7: Com o surgimento de outros aplicativos de carona, como o RideWith do Waze, o Uber corre o risco de ser esquecido?
Sabba: Pelo contrário. Quanto mais [opções], melhor para o consumidor. Todo mundo vai ter que mudar mais e dar uma resposta melhor para o usuário. Só vai somar, e não atrapalhar. A competição é fantástica para o usuário.
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