Um mês após incêndio, comandante dos bombeiros do RS diz que superlotação foi principal causa da tragédia
Guido Melo afirma que aguarda resultado de inquérito para ver se houve falha da corporação
Cidades|Vanessa Sulina, do R7

Um mês após o incêndio na boate Kiss, que deixou 239 mortos em Santa Maria, o comandante do Corpo de Bombeiros do Rio Grande do Sul, Guido Pedroso de Melo, disse que principal causa da tragédia foi a superlotação da casa noturna.
Apesar de a polícia dizer que a falta de saídas de emergências e de extintores contribuíram para as mortes, Melo afirma que “em princípio tudo estava dentro da norma”. O comandante afirmou ainda que aguarda o resultado do inquérito policial e também interno da corporação para verificar se houve qualquer tipo de falha da corporação.
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Leia a entrevista completa:
R7 — O delegado responsável pelo caso, Sandro Meinerz, disse que está ouvindo funcionários do Corpo de Bombeiros de Santa Maria. O senhor tem acompanhado? O que eles disseram?
Guido Pedroso de Melo — Sei o nome delas, mas não o conteúdo de seus depoimentos.
R7 — O senhor foi ouvido pela Polícia Civil?
G.P. M — Não fui ouvido. Apenas o comandante dos bombeiros de Santa Maria.
R7 — O senhor acredita que de alguma forma o Corpo de Bombeiros contribuiu para esta tragédia?
G.P. M — Os bombeiros estavam dentro da norma, mas nada impede que o delegado indicie alguém. E se sim, eles vão ter que se defender na Justiça.
R7 — Os bombeiros então não tiveram participação nessa tragédia...?
G.P. M — Não posso concluir com certeza isso. Tivemos preocupação em abrir inquérito para avaliar se houve falhas. Temos que aguardar o resultado sair. A princípio tudo estava dentro da norma. Na minha avaliação, a principal causa foi o fato de ser autorizado a entrar 690 e tinha por volta de 1.500. Essa foi o grande fator.
R7 — Quando vai sair o resultado deste inquérito interno?
G.P. M — Nos próximos 20 dias este inquérito deve estar concluído. Estamos verificando a atuação do bombeiro tanto na expedição do alvará como a sua atuação no dia da tragédia. Temos que aguardar esse resultado.
R7 — Como está o estado emocional destes agentes que de certa forma estão ouvidos nesta tragédia?
G.P. M — Os bombeiros tiveram abalo muito grande.
R7 — Quando foi feita a última vistoria na boate, já que a polícia está investigando se o plano de segurança da casa estava adequado?
G.P. M — Fizemos a vistoria em agosto de 2011. Em 2012, ele [o alvará] venceu e, a partir daí, não havia sido fornecido um novo alvará.
R7 — Por que houve essa demora em fazer a nova vistoria?
G.P. M — Em 2012, os bombeiros notificaram a casa para avisar sobre o vencimento. Então, o proprietário passou mais um ou dois meses providenciando a renovação dos extintores e encaminhou a solicitação de renovação. Logo depois, ele entrou na fila cronológica para ser atendido. Quando aconteceu o acidente, ele tinha os itens de segurança, mas não tinha o alvará porque estava tramitando.
R7 — Na época da tragédia, um segurança disse que extintor ao lado do palco estava vazio. O senhor tem conhecimento disso?
G.P. M — No pedido de renovação, ele já havia apresentado o documento da validade dos extintores. O que pode ter acontecido lá [na boate Kiss] pelo que foi dito é que os extintores foram utilizados em outras festas anteriores. Mas isso a perícia vai dizer no inquérito se aconteceu ou não.
R7 — Um DJ disse também que show pirotécnicos em casas noturnas de Santa Maria eram comuns. Os bombeiros tinham informação sobre isso?
G.P. M —Todo show pirotécnico tem que ser autorizado pelo Corpo de Bpmbeiros. Nós não tínhamos o conhecimento sobre qualquer show deste tipo.
R7 — As vistorias a casas noturnas no Rio Grande do Sul aumentaram depois da tragédia?
G.P. M — Na realidade, demos continuidade a um trabalho que fazemos o ano todo. Depois de Santa Maria, demos prioridade para verificar os locais que reúnem algum público. No trabalho, demos prioridade para verificar os locais com os alvarás que estão vencendo para os proprietários tomarem providências antes de vencer.
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