Logo R7.com
RecordPlus
Notícias R7 – Brasil, mundo, saúde, política, empregos e mais

Vídeo mostra neto de ex-senador fugindo em alta velocidade após furar blitz da Lei Seca na Paraíba

Rodolpho Carlos da Silva atropelou e matou o agente de trânsito Diogo Nascimento de Souza

Cidades|Do R7

  • Google News

Um vídeo (acima) da Secretaria de Segurança Pública da Paraíba mostra o motorista Rodolpho Gonçalves Carlos da Silva acelerando seu Porsche branco, na madrugada do último sábado (21), após furar uma blitz da Operação Lei Seca em um bairro nobre de João Pessoa. Na fuga, ele atropelou o agente de trânsito Diogo Nascimento de Souza, de 34 anos, que não resistiu aos ferimento e morreu no domingo (22).

As imagens mostram o veículo da marca Porsche, placa PXB-0909, fugindo em alta velocidade por uma avenida do bairro do Bessa, em João Pessoa, pouco antes das 2h da madrugada de sábado. O carro está registrado em nome de Ricardo de Oliveira Carlos da Silva, pai de Rodolpho.


Segundo os agentes do Detran da Paraíba, o condutor não obedeceu à ordem de Diogo para parar o carro, realizou manobra brusca dentro da fila de cones, a ponto de a placa do carro cair, atropelou o agente e fugiu do local.

Diogo foi levado para a UTI do Hospital de Emergência e Trauma Senador Humberto Lucena. Ele chegou em estado grave com traumatismo craniano extenso e trauma torácico, morrendo um dia depois.


O caso ganhou repercussão por suposto favorecimento da Justiça ao acusado. Rodolpho teve sua prisão decretada e revogada pela Justiça da Paraíba em menos de 12 horas.

Na tarde de sábado, a juíza plantonista Andréa Arcoverde Cavalcanti Vaz, do 1º Juizado Especial Misto de Mangabeira, decretou um mandado de prisão temporária alegando “medida de extrema relevância para elucidação dos fatos criminosos e apuração de sua participação no crime ora em apuração”.


Rodolpho Gonçalves Carlos da Silva é herdeiro do Grupo São Braz e da TV Cabo Branco
Rodolpho Gonçalves Carlos da Silva é herdeiro do Grupo São Braz e da TV Cabo Branco

Ela destacou em sua decisão que “o acusado evadiu-se do local do crime sem prestar socorro à vítima, demonstrando a intenção de furtar-se a sua responsabilidade penal pelos fatos praticados”.

Na madrugada de sábado para o domingo (22), contudo, o desembargador Joás de Brito Pereira Filho, do Tribunal de Justiça da Paraíba, atendeu a um habeas corpus impetrado pelo advogado de Rodolpho e, antes mesmo de o jovem ser preso, emitiu um salvo-conduto "para que o paciente não venha a ser preso em decorrência da prisão temporária".


O magistrado alegou em sua decisão "não existir justa causa a justificar o cerceamento do direito de locomoção", a não ser que "fatos novos" justifiquem a "medida extrema".

Rodolpho é herdeiro do Grupo São Braz, maior empresa do ramo alimentício do Estado, e da TV Cabo Branco, afiliada da Rede Globo. O império é comandado pelo empresário José Carlos da Silva Júnior, avô de Rodolpho, que já foi vice-governador da Paraíba (1983-86) e primeiro suplente de senador pelo PMDB, entre 1995 e 2003, assumindo o cargo em duas ocasiões, por breve período, em 1996 e 1999.

O delegado Marcos Paulo Villela, da 1ª Superintendência de Polícia Civil, disse no sábado que o motorista pode ser autuado por tentativa de homicídio doloso qualificado.

— Não existe a possibilidade de dolo eventual. Ele assumiu o risco de matar ou ferir a vítima. Ele quis passar por cima do Diogo Nascimento, não há dúvidas disso, de acordo com as provas e relatos colhidos até o momento.

Depoimento

Rodolpho se apresentou às 8h desta terça-feira (24) à Central de Polícia, no bairro do Geisel, para prestar esclarecimentos. O jovem, contudo, permaneceu em silêncio durante todo o depoimento. 

O delegado Reinaldo Nóbrega, titular do Departamento de Homicídios da capital e repsonsável pelo caso, afirmou hoje que irá convocar Rodolpho novamente esta semana para realizar a reconstituição do crime.

Ao deixar a delegacia hoje, Rodolpho foi hostilizado por funcionários do Detran, que estão revoltados com a morte do colega. Ele quase chegou a ser agredido.

No domingo, ao anunciar a morte de Diogo, o superintendente do Detran-PB, Agamenon Vieira, emitiu nota pedindo justiça.

"O desejo de todos é que a justiça seja feita e que a tragédia que acometeu a família de Diogo sirva como marco para estimular uma mudança de consciência sobre o consumo de álcool ao volante e o respeito aos profissionais que diuturnamente trabalham para tornar nossas ruas mais seguras. Que as duras penas da lei sirvam de norte para punir de maneira exemplar os culpados e impedir que outras famílias chorem a perda de seus familiares para a guerra do trânsito".

Últimas


Utilizamos cookies e tecnologia para aprimorar sua experiência de navegação de acordo com oAviso de Privacidade.