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4 em cada 10 inadimplentes em 2026 já estavam negativados há 10 anos, diz Serasa

Estudo mostra alta de 38% no número de brasileiros com dívidas na última década; idosos e mulheres ganham maior peso no perfil

Economia|Clarissa Lemgruber, do R7, em Brasília

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LEIA AQUI O RESUMO DA NOTÍCIA

  • Quarenta por cento dos inadimplentes em 2026 já estavam negativados há 10 anos, segundo a Serasa.
  • O número de brasileiros inadimplentes cresceu 38,1% na última década, alcançando 81,7 milhões em 2026.
  • O perfil dos inadimplentes mudou, com aumento entre idosos e mulheres, enquanto a participação de jovens caiu.
  • Negociações de dívidas devem incluir planejamento financeiro para garantir estabilidade de longo prazo.

Produzido pela Ri7a - a Inteligência Artificial do R7

Número de consumidores com contas em atraso cresceu 38,1% em 10 anos Tomaz Silva/Agência Brasil - arquivo

Quatro em cada dez brasileiros inadimplentes em 2026 já enfrentavam restrições de crédito há uma década, segundo levantamento da Serasa divulgado nesta terça-feira (24). O dado, que marca os 10 anos do Mapa da Inadimplência, indica um padrão de reincidência em meio ao avanço das dívidas no país.

De 2016 a 2026, o número de consumidores com contas em atraso cresceu 38,1%. Em fevereiro deste ano, 81,7 milhões de pessoas estavam inadimplentes no Brasil, somando mais de 332 milhões de dívidas — volume 43% maior que o registrado há 10 anos.


A dívida média por consumidor também aumentou no período. Considerando valores corrigidos pela inflação, passou de R$ 5.880,02 para R$ 6.598,13, uma alta de 12,2%.

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Segundo Aline Vieira, especialista da Serasa em educação financeira, o cenário reflete fatores econômicos e comportamentais, como juros elevados, inflação e maior acesso ao crédito ao longo da década.


“Ao mesmo tempo, houve ampliação do acesso ao crédito, muitas vezes sem o devido planejamento, levando parte dos consumidores a utilizá-lo como complemento de renda, e não como um recurso pontual”, explica.

Mudança no perfil

O levantamento aponta mudanças no perfil dos inadimplentes. A participação de pessoas com mais de 60 anos cresceu, passando de 12,23% em 2016 para uma fatia maior em 2026 — um avanço de 7 pontos percentuais. Já entre jovens de 18 a 25 anos, houve queda de 4 pontos percentuais no período.


Também houve inversão na divisão por gênero. Em 2016, os homens eram maioria (50,2%), mas, em 2026, as mulheres passaram a representar a maior parte dos inadimplentes, com 50,5%.

Reincidência e desafio estrutural

O estudo indica ainda que 34 milhões de brasileiros permanecem inadimplentes desde 2016, reforçando o desafio de evitar a reincidência.


Para Aline Vieira, a negociação das dívidas precisa vir acompanhada de planejamento financeiro para garantir estabilidade no longo prazo. “Negociar as dívidas é um passo fundamental, mas o acesso a condições facilitadas precisa vir acompanhado de informação e organização, para que o consumidor consiga manter o equilíbrio de forma sustentável.”

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