4 em cada 10 inadimplentes em 2026 já estavam negativados há 10 anos, diz Serasa
Estudo mostra alta de 38% no número de brasileiros com dívidas na última década; idosos e mulheres ganham maior peso no perfil
Economia|Clarissa Lemgruber, do R7, em Brasília
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Quatro em cada dez brasileiros inadimplentes em 2026 já enfrentavam restrições de crédito há uma década, segundo levantamento da Serasa divulgado nesta terça-feira (24). O dado, que marca os 10 anos do Mapa da Inadimplência, indica um padrão de reincidência em meio ao avanço das dívidas no país.
De 2016 a 2026, o número de consumidores com contas em atraso cresceu 38,1%. Em fevereiro deste ano, 81,7 milhões de pessoas estavam inadimplentes no Brasil, somando mais de 332 milhões de dívidas — volume 43% maior que o registrado há 10 anos.
A dívida média por consumidor também aumentou no período. Considerando valores corrigidos pela inflação, passou de R$ 5.880,02 para R$ 6.598,13, uma alta de 12,2%.
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Segundo Aline Vieira, especialista da Serasa em educação financeira, o cenário reflete fatores econômicos e comportamentais, como juros elevados, inflação e maior acesso ao crédito ao longo da década.
“Ao mesmo tempo, houve ampliação do acesso ao crédito, muitas vezes sem o devido planejamento, levando parte dos consumidores a utilizá-lo como complemento de renda, e não como um recurso pontual”, explica.
Mudança no perfil
O levantamento aponta mudanças no perfil dos inadimplentes. A participação de pessoas com mais de 60 anos cresceu, passando de 12,23% em 2016 para uma fatia maior em 2026 — um avanço de 7 pontos percentuais. Já entre jovens de 18 a 25 anos, houve queda de 4 pontos percentuais no período.
Também houve inversão na divisão por gênero. Em 2016, os homens eram maioria (50,2%), mas, em 2026, as mulheres passaram a representar a maior parte dos inadimplentes, com 50,5%.
Reincidência e desafio estrutural
O estudo indica ainda que 34 milhões de brasileiros permanecem inadimplentes desde 2016, reforçando o desafio de evitar a reincidência.
Para Aline Vieira, a negociação das dívidas precisa vir acompanhada de planejamento financeiro para garantir estabilidade no longo prazo. “Negociar as dívidas é um passo fundamental, mas o acesso a condições facilitadas precisa vir acompanhado de informação e organização, para que o consumidor consiga manter o equilíbrio de forma sustentável.”
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